“Quando Portugal exporta cerca de 75% dos seus produtos - bens e serviços - para a Europa, quando a Europa está em recessão, ou abranda, isto tem um impacto muito grande sobre as nossas exportações”, rematou Álvaro Santos Pereira, à margem de uma reunião hoje no Ministério da Economia com o Conselho para a Indústria.
“Existe um arrefecimento bastante grande da economia europeia”, declarou o ministro após a reunião com o organismo criado pelo Governo para monitorizar a implementação da Estratégia para o Crescimento, Emprego e Fomento Industrial.
As exportações portuguesas aumentaram 0,3% nos primeiros três meses de 2013 e as importações diminuíram 7,2% face ao período homólogo, desempenho que permitiu a redução do défice da balança comercial em 1.074,8 milhões de euros, anunciou o INE.
Também Daniel Bessa, presidente da Cotec, considerou que os números das exportações denunciam a "má situação" de alguns dos maiores mercados, sobretudo Espanha, mas também Itália e França.
O economista, membro do Conselho para a Indústria, considerou ainda que o desempenho das exportações, hoje divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística, "mostra a necessidade de trabalhar mais e de forma mais urgente os mercados alternativos" dos bens e serviços portuguesas, onde a presença é "muito pequena e onde o potencial de crescimento parece ser muito maior", concluiu.
Também o ministro da Economia optou por sublinhar o, ainda assim, menos mau comportamento das exportações extracomunitárias, defendendo como “fundamental que a Europa e o resto da economia internacional consigam recuperar”.
“É por isso que políticas de crescimento, memorandos de crescimento, como o que estamos a implementar, ao nível europeu, são essenciais para combatermos o maior flagelo que se está a abater sobre a Europa, que é o desemprego”, afirmou.
O governante considerou “inaceitável” que “um continente desenvolvido” como a Europa apresente “taxas de desemprego jovem superiores a 30%"
Em Portugal, o desemprego jovem atingiu o nível recorde de 42%, segundo dados divulgados quinta-feira pelo INE.
“Não podemos deixar os nossos filhos para trás e por isso é fundamental que a Europa tenha a coragem de avançar com medidas forte para o crescimento e para combater o desemprego”, afirmou aos jornalistas.
As exportações nacionais mantiveram a tendência de descida em Março, com uma variação homóloga de -2,8% (-2,6% em Fevereiro), penalizadas sobretudo pela diminuição do comércio intracomunitário que caiu 6,1% (-2,4% em Fevereiro), segundo o INE.
As estatísticas apontam também para uma redução mais acentuada das importações, que tiveram uma diminuição homóloga de 9,8% (-6,1% em Fevereiro).
Já as vendas para países fora da União Europeia aumentaram 6%, em resultado do acréscimo nas categorias de combustíveis minerais (gasolinas e fuelóleos) e nos metais comuns.