Foi a primeira mulher a ser magistrada em Portugal, esteve 12 anos à frente do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), não tendo sido reconduzida no cargo. Ao longo de mais de uma década, Cândida Almeida coordenou das mais importantes investigações em curso no País: O caso BPN ou o do Freeport constituem apenas alguns dos exemplos.
Sobre o primeiro, Cândida Almeida comenta, numa entrevista ao Diário Económico que “aquilo é um Mundo”. “Mexe-se na terra e sai minhoca por todo o sítio”, refere, acrescentando que muito falta ainda descobrir. Já relativamente ao Freeport, garante que o antigo primeiro-ministro, José Sócrates, não foi beneficiado de forma alguma.
No entanto, a magistrada admite ter sofrido pressões “dos grandes interesses opacos e sem rosto”, aos quais afiança nunca ter cedido. Questionada sobre se, nessa senda, acabou por ser um “bode-expiatório”, Cândida Almeida responde: “Tem de haver um rosto para culpar por ter mexido em interesses e eu, para o bem e para o mal, tenho de assumir as minhas responsabilidades. Mas obviamente que isso dói”.
“Ser suspeita de violar o segredo de Justiça magoou-me”, assinala ainda a antiga responsável pelo DCIAP, reportando-se ao processo que conduziu ao afastamento das funções que desempenhava, não tendo sido reconduzida no cargo.
A magistrada adianta também que a amizade que tinha pelo antigo Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, esmoreceu, tendo em conta que o mesmo nunca lhe “deu apoio”.