A estação estatal espanhola RTVE afirmou, na terça-feira, que o seu Conselho de Administração vai discutir a participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção e defendeu a necessidade de haver uma "posição consensual".
Segundo o presidente da RTVE, José Pablo López, o assunto será discutido na próxima reunião do Conselho de Administração, em março.
"O assunto fará parte das deliberações do Conselho de Administração em março, onde o incluirei como ponto da ordem de trabalhos para que possamos tomar uma posição sobre o assunto", disse José Pablo Lopez perante uma comissão parlamentar, citado pelo ABC.
O esclarecimento do presidente da RTVE surgiu após Francisco Sierra, deputado do Sumar, questionar sobre o facto de Israel ser "genocida" e de ter escolhido uma sobrevivente do ataque de 7 de outubro como representante da 69.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, na Suíça.
No entanto, explicou José Pablo Lopez, "até à data, e ao contrário do que aconteceu em 2024, nenhuma das estações de televisão que fazem parte da União Europeia de Radiodifusão (UER) solicitou a retirada da candidatura de Israel".
"Penso que é importante que, se assim o entender, o Conselho de Administração da RTVE tenha uma posição consensual, uma posição que poderá passar também por uma declaração pública sobre o assunto", sublinhou.
Recorde-se que a participação de Israel na Eurovisão, no ano passado, foi bastante criticada devido ao conflito na Faixa de Gaza. Ainda antes do concurso, oito representantes - incluindo a portuguesa iolanda - emitiram um comunicado conjunto, onde afirmaram estar "unidos contra todas as formas de ódio, incluindo o antissemitismo e a islamofobia".
Já durante uma atuação no intervalo, o cantor sueco Eric Saade - com ascendência palestiniana - foi alvo de críticas por ter usado um keffiyeh, um lenço associado à luta palestiniana, à volta do braço.
Na final, iolanda - que representou Portugal com 'Grito' - viu a sua atuação ser banida das redes sociais e do Youtube por ter o padrão de um keffiyeh desenhado nas unhas, em vez da cor branca que usou na atuação da semifinal.
O cantor Joost Klein, dos Países Baixos, que era um dos favoritos à vitória com 'Europapa', foi expulso horas antes da grande final, por, segundo a UER, ter sido apresentada uma queixa "por um membro feminino da equipa de produção após um incidente da sua atuação na semifinal". Segundo a imprensa sueca, a queixosa seria um membro da delegação israelita e, meses depois, o Ministério Público da Suécia arquivou o caso.
Antes do evento, a organização defendeu que "o Festival Eurovisão da Canção é um concurso para as emissoras públicas de toda a Europa e do Médio Oriente".
"É um concurso para as emissoras - não para governos - e a emissora pública israelita participa no concurso há 50 anos", reiterou.
Questionada sobre o facto de a Rússia ter sido expulsa do festival, em 2022, após a invasão da Ucrânia, a UER explicou que o país liderado por Vladimir Putin violou as suas "obrigações" enquanto membro e violou "os valores dos meios de comunicação social públicos".
Recorde-se que o Festival Eurovisão da Canção 2025 realiza-se entre 13 e 17 de maio, em Basileia, na Suíça, após a vitória de Nemo, com 'The Code', na edição do ano passado.
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