"Espanha deixou andar e quando deu conta já havia um contágio gigantesco"

João Costa, guarda-redes português que alinha no Granada, conta como é que Espanha tem reagido à quarentena obrigatória, provocada pelo surto do novo coronavírus, que já fez mais de 500 vítimas mortais naquele país.

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Francisco Amaral Santos
18/03/2020 08:00 ‧ 18/03/2020 por Francisco Amaral Santos

Desporto

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João Costa não esconde que Espanha está a viver uma fase muito complicada por causa do surto do novo coronavírus. O guardião português, atualmente ao serviço do Granada, encontra-se a cumprir o período de quarentena obrigatória e não pode regressar, num futuro próximo, a Portugal. 

Em declarações ao Desporto ao Minuto, João Costa revelou o medo que se vive em Espanha pela forma como o vírus se espalhou, ao mesmo tempo que refere que as medidas para conter o mesmo poderiam ter sido aplicadas mais cedo.

Espanha contabiliza mais de 500 mortes provocadas pela Covid-19 e o guarda-redes português acredita que as pessoas já perceberam que a melhor forma de evitar a propagação do vírus passa por cumprir, de forma rigorosa, a quarentena obrigatória.

"Em Espanha as pessoas reagiram de imediato à quarentena obrigatória. Deixaram de sair de casa e só saem para comprar os bens essenciais ou para trabalhar, no caso das pessoas que ainda têm de ir trabalhar. De resto, as pessoas cumprem a 100 por cento a quarentena obrigatória. A polícia anda pelas ruas e tem um valor de multa caso as pessoas estejam na rua sem motivo", começa por contar João Costa, prosseguindo. 

"Aqui já se percebeu que o novo coronavírus é algo bastante perigoso e com o qual temos de ter bastante cuidado. Temos de cumprir as ordens que nos têm dado porque em primeiro lugar está a nossa saúde e a saúde das pessoas que nos rodeiam. De imediato, os espanhóis começaram a perceber a velocidade de contágio que este vírus tem e as primeiras mortes mostraram que é uma coisa bastante perigosa", explica. 

Questionado se Espanha reagiu tarde à propagação da Covid-19, João Costa lamenta que a situação tenha tomado proporções tão elevadas. 

"Espanha - como Itália e outros países europeus - deixou isto andar um bocado, ver o que ia dar e quando deu conta já era um bocado tarde porque começaram a aparecer as primeiras mortes e a haver um contágio gigantesco. Mas mais vale tarde do que nunca e agora já foram tomadas as medidas essenciais. Vamos ver como isto vai evoluir nas próximas semanas", refere. 

Treino em casa com o futebol incerto 

João Costa, tal como a maioria dos jogadores, tem feito o devido trabalho físico em casa para não perder o ritmo competitivo adquirido ao longo da presente época que está agora suspensa. O guarda-redes formado no FC Porto destaca as condições oferecidas pelo Granada, mas revela-se pouco otimista quanto ao futuro do futebol mundial. 

"Tenho que treinar em casa. O Granada dá-nos todas as condições para continuarmos a treinar e temos de fazer o melhor para estarmos bem fisicamente. O Granada está a acompanhar a situação dos jogadores, mas não tivemos que fazer testes de despiste porque o clube se antecipou ao Governo. Ainda não havia nem um caso em Granada e o clube já nos tinha proibido de sair de casa a não ser para treinar. Estivemos uma semana assim, mas depois optou-se por cortar os treinos. O clube proibiu-nos, muito antes do Governo, de andarmos na rua. Não fizemos testes, mas o clube está a acompanhar diariamente a nossa situação clínica", argumenta.

"Vão ser dos momentos mais difíceis do futebol mundial. Não vejo que o futebol volte ao ativo brevemente. Creio que isto veio para durar. Os clubes com menos possibilidades não sei se terão condições para pagar aos jogadores, os campeonatos não sei como serão decididos... Tudo terá de ser muito bem pensado. O futebol vai ter de passar um mau bocado para voltar ao ativo", estima. 

Preocupado com a família 

João Costa mostra-se preocupado pela família, ainda que também confesse que o facto de estar longe ajuda a cumprir da melhor forma a quarentena obrigatória imposta em Espanha. 

"Estando no estrangeiro há sempre maior preocupação pelo resto da família, como é normal. Por outro lado, torna-se mais fácil cumprir a quarentena porque não temos a tendência de sair de casa para irmos visitar os familiares. Não há essa necessidade de sair de casa. Mas claro que estamos preocupados, mais ainda porque agora não podemos viajar para Portugal nem eles podem viajar para Espanha", conclui o guardião português que alinha no Granada. 

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