"O presidente da Comissão de Orçamento, Finanças e Administração informou os membros na reunião do Conselho Geral de fevereiro que os Estados Unidos estão atualmente em atraso na categoria I", disse à AFP o porta-voz da OMC, Ismaila Dieng.
Os Estados Unidos não pagaram a sua contribuição em 2024, acrescentou, e também ainda não pagaram este ano. Contudo, várias contribuições só são pagas a meio do ano.
No ano passado, os EUA representavam cerca de 11,4% do orçamento da OMC e deviam pagar cerca de 23,2 milhões de francos suíços (24,4 milhões de euros).
Existem três categorias de pagamentos em atraso no âmbito da OMC, a categoria I -- a menos grave -- diz respeito aos países membros que não pagam as suas contribuições há pelo menos um ano e há menos de dois anos.
Atualmente, nove países estão nesta categoria: Angola, Chile, Essuatíni, Granada, Haiti, São Vicente e Granadinas, Suriname, Uganda e Estados Unidos.
Os membros da OMC desta categoria não podem presidir aos diferentes órgãos da organização e também não podem receber documentação da OMC estando sujeitos a relatórios nas reuniões do conselho geral.
"De um modo geral, os pagamentos em atraso podem ter um impacto na capacidade operacional do Secretariado da OMC", afirmou Dieng.
Contudo, explicou que "o secretariado continua a gerir os seus recursos de forma prudente e dispõe de planos que lhe permitem funcionar dentro dos limites financeiros impostos por eventuais pagamentos em atraso".
Em 04 de fevereiro, o Presidente dos EUA, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para retirar os EUA de vários organismos da ONU, entre os quais a OMC, e para rever o apoio do país a outras organizações internacionais.
"Na reunião de 04 de março, o delegado dos EUA indicou que a suspensão das contribuições dos EUA para os orçamentos das organizações internacionais também afetava a OMC", disse à AFP uma fonte próxima das discussões.
O decreto estipula que a "revisão de todas as organizações internacionais intergovernamentais de que os Estados Unidos são membros e que fornecem financiamento ou outro apoio" deve ter lugar num prazo de 180 dias.
O objetivo é "determinar quais organizações, convenções e tratados são contrários aos interesses dos Estados Unidos e se tais organizações, convenções ou tratados podem ser reformados", lê-se no decreto.
No final desta revisão, o Departamento de Estado dos EUA terá de "comunicar as suas conclusões ao Presidente" e terá de "fazer recomendações sobre se os Estados Unidos devem retirar-se dessas organizações, convenções ou tratados".
No dia 07 de março, a diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou, depois de se ter reunido com o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, e com o representante comercial da Casa Branca, Jamieson Greer, em Washington, que os Estados Unidos "querem continuar envolvidos" com a organização.
No entanto, apesar de ainda ser membro da OMC, os Estados Unidos de Donald Trump lançaram uma guerra comercial contra os seus principais parceiros, aumentando as suas tarifas.
E, continuando uma prática iniciada sob o presidente Barack Obama, Washington continua a paralisar o mecanismo que deveria permitir a resolução pacífica de litígios comerciais no seio da organização, bloqueando a nomeação de juízes para o Órgão de Recurso.
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