Quase todos os chefs e convidados para a gala do Michelin Portugal se levantaram quando o nome de Marlene Vieira apareceu no ecrã da Alfândega do Porto. A chef ganhou a primeira estrela Michelin com o restaurante homónimo em Lisboa e não podia estar mais contente.
"É bom, é sinal de que estamos a trabalhar bem, que temos excelência, que temos qualidade. Nunca duvidei de mim. Acreditei em mim mais do que qualquer outra pessoa", começou por dizer em entrevista aos jornalistas depois do final da gala que decorreu esta terça-feira na Alfândega do Porto.
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Acredita que este foi o momento certo para ganhar a estrela. "Há um tempo certo para tudo. Acho que o meu percurso é um percurso de trabalho e de não abdicar de certas coisas no meu dia a dia, na minha vida."
Primeiro, foi preciso trabalhar muito para conseguir abrir restaurantes e ter finalmente o Marlene aberto e com o foco na estrela que finalmente chegou.
"O Marlene foi sendo adiado durante muitos anos. Para termos um restaurante neste nível é preciso muito investimento financeiro. Eu não tinha, nunca tive esse investimento e precisei de ganhar dinheiro primeiro noutros restaurantes. É merecido. Este não é um prémio só para o Marlene, é um prémio carreira."
O momento em que a sala se levantou para aplaudir a chef Marlene.© Notícias ao Minuto
Claro que o trabalho em equipa foi algo que a fez chegar até aqui, mas nunca esquece de quem e da força que tem. "Sou uma pessoa competitiva comigo mesma e não com os outros. Não olho muito para o que está fora. Trabalho muito de dentro para fora. Essa é a minha forma de estar em qualquer projeto. Sempre soube que isto podia ser possível um dia e só dependia de mim. De mim e claro, com pessoas com talento ao meu lado. Ninguém me alimentou mais do que eu mesma."
Quanto ao trabalho no Marlene, agora com estrela, tudo se irá manter, mas com esperança de um dia voltar a subir a este palco da Michelin. "Levámos agora um grande empurrão. Estamos cheios de motivação e cheios de ideias. Isto já está aqui a fervilhar. Nós precisamos desta palmada nas costas para dizer 'continua'. Eu já me conheço, vou querer sempre mais. Obviamente que ambiciono mais. Uma segunda [estrela] talvez. Mas é continuar a fazer aquilo que fazemos sem estarmos obcecados."
Para que continuem a existir mais mulheres com esta distinção, deixou um apelo a quem toma decisões na área, a quem investe e cria restaurantes. "A sociedade quer ver homens à frente, no poder. É mesmo uma questão de sociedade. Não se foquem só nos lucros e nas vendas. Abracem causas."
O Guia Michelin Portugal contou com a entrada de oito novos restaurantes estrelados. Não houve uma segunda estrela e também a, esperada, terceira não se concretizou. A chef acredita que este ano poderia ter havido espaço para mais.
"Nunca estamos verdadeiramente felizes quando não vemos o trabalho dos outros ser premiado. Sabemos que é importante para Portugal. Esta é uma geração muito unida, que apoia efetivamente o trabalho do outro. Estou feliz, mas ficaria mais feliz se houvesse uma terceira estrela Michelin e mais de duas. Foi pouco."
Percorra a galeria para ver o momento em que a chef Marlene sobe ao palco para receber a jaleca.
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