Brenton Tarrant, de 32 anos, autoproclamado supremacista branco, está acusado de ter cometido, em março de 2019, aquele que foi considerado o maior massacre da história da Nova Zelândia, depois de ter assassinado 51 pessoas em duas mesquitas na cidade de Christchurch.
O terrorista deu agora entrada com um recurso contra o seu caso e a sentença, segundo revelaram funcionários do tribunal, citados pela BBC. No entanto, nenhuma audiência para esse efeito foi marcada até agora.
Tarrant foi condenado a prisão perpétua sem hipótese de liberdade condicional em 2020 pelo homicídio e tentativa de homicídio de dezenas de fiéis muçulmanos.
Questionada sobre o recurso, a primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, foi perentória: "O nome dele não deve ser repetido e vou aplicar a mesma regra aos comentários sobre as suas tentativas de revitimizar as pessoas. Não lhe devemos dar nada".
Recorde-se que o governo de Ardern recusa dizer publicamente o nome do atacante para o privar de qualquer plataforma ou notoriedade.
Imam Gamal Fouda, um dos sobreviventes do ataque à mesquita de Al Noor disse que estava a "debater-se para entender" a motivação para o recurso, tendo em conta que "o próprio se deu como culpado". "Não consigo deixar de pensar que isto é outra maneira deste terrorista magoar as vítimas novamente ao manter viva a sua memória e a das suas ações", acrescentou.
Brenton Tarrant, um cidadão australiano que se mudou para a Nova Zelândia em 2017, entrou armado com duas semiautomáticas em duas mesquitas da cidade do sul do país a 15 de março de 2019. Tinha intenção de matar o maior número de muçulmanos que conseguisse, como foi possível ouvir no seu julgamento em 2020. Deixou também um manifesto a explicar as suas intenções antes do ataque e transmitiu em direto nas redes sociais as imagens do tiroteio que levou a cabo.
Declarou-se culpado das acusações de assassinato, tentativa de assassinato e terrorismo e recusou opor-se ao pedido dos procuradores para a máxima sentença possível. Foi condenado a prisão perpétua sem hipótese de liberdade condicional - a primeira vez usada na Nova Zelândia.
O ataque foi um dos mais mortíferos da história da Nova Zelândia e originou um consenso entre os deputados num espaço de semanas para que fossem banidas as armas semiautomáticas de tipo militar no país de forma a prevenir que algo do género se voltasse a repetir.
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