A organização sem fins lucrativos Titanic Internacional Society lamentou, na quinta-feira, as mortes dos cinco passageiros que seguiam a bordo do Titan, o submarino que desapareceu no domingo numa viagem aos destroços do Titanic e que terá sofrido uma implosão.
"O Titanic reclamou mais cinco vítimas 111 anos depois", notou o presidente da organização, Charles Haas, em comunicado publicado no Facebook.
Na nota deixada, horas depois de a Guarda Costeira dos Estados Unidos ter anunciado a morte dos cinco tripulantes, o responsável fala ainda sobre várias lições, tanto sobre a perda do Titanic, em 1912, como agora com o desaparecimento deste submersível - deixando ainda um conselho.
"Está na altura de considerar seriamente se as viagens com humanos aos destroços do Titanic não devem acabar, em nome da segurança - já que [já] há pouco para aprender sobre o naufrágio", considerou, notando que estas viagens, com presença humana, podem ser feitas com veículos autónomos, "como os que no verão passado que mapearam o navio e os seus destroços em resolução 3D".
Charles Haas lembrou ainda que deverá ser feita uma investigação "extensa" à implosão que terá acontecido, assim como serem analisadas tanto a segurança como o projeto do submersível. "Assim como o Titanic ensinou lições de segurança ao mundo, também a perda do Titan deveria", notou.
O presidente da organização comparou ainda a situação que começou no domingo à missão espacial Apollo 13, em 1970, da qual resultou a famosa frase: "Houston, temos um problema". Os astronautas ficaram sem oxigénio a caminho da missão, mas acabaram por regressar à Terra, cinco dias depois. "O interesse mundial pelo drama que se desenrolou no Atlântico lembrava o que foi vivido durante a missão Apollo 13. Por um momento, preocupações terráqueas tornaram-se insignificantes", considerou.
Haas deixou ainda uma palavra em particular para uma das vítimas desta tragédia, Paul-Henri Nargeolet, também conhecido por 'Sr. Titanic'.
"O comandante Paul-Henri Nargeolet trouxe para esta expedição mais de um quarto de século de experiência, fazendo mais mergulhos nos destroços do Titanic do que qualquer outra pessoa na Terra. O seu conhecimento do naufrágio e do local era único e incomparável. A sua vontade de partilhar essas informações manteve o mundo informado sobre a condição de deterioração do Titanic e ajudou a reescrever partes significativas da história do navio", apontou, notando que "infelizmente, esse conhecimento" está agora perdido.
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