Acordo cerealífero. ONU assegura continuar em contacto com Moscovo e Kyiv
O principal mediador da ONU para as negociações russo-ucranianas sobre exportação de cereais assegurou hoje que permanece em contacto com as duas partes para tentar um regresso ao diálogo e garantir um acesso sem entraves aos mercados.
© Lusa
Mundo Guerra na Ucrânia
"Continuamos a trabalhar para conseguir que prossigam as exportações de cereais russos e ucranianos, e também de fertilizantes provenientes da Rússia", assegurou em conferência de imprensa a costa-riquenha Rebeca Grynspan, secretária-geral da Conferência da ONU para o Comércio e desenvolvimento (UNCTAD).
O acesso a dois dos principais produtores globais "é extremamente importante para a segurança alimentar global", afirmou Grynspan, que em outubro viajou para Moscovo para se reunir com altos responsáveis do Governo russo no âmbito destas negociações.
A Rússia e a Ucrânia, com mediação da ONU e Turquia, assinaram em julho de 2022 a designada Iniciativa do Mar Negro, que permitiu exportações de cereais a partir dos portos ucranianos apesar da guerra entre os dois países, mas a parte russa suspendeu o acordo em julho de 2023 alegando que as suas exigências incluídas nos acordos não estavam a ser cumpridas.
O Kremlin pediu que fosse retomada a ligação do banco agrícola russo Rosseljozbank ao SWIFT, o levantamento das sanções aos componentes para a sua maquinaria agrícola, o desbloqueio da logística de seguros e transportes, o descongelamento de ativos e a ativação da conduta de amoníaco Togliatti-Odesa, danificada em 05 de junho passado.
Grynspan assegurou hoje que a retirada russa do acordo "implicou maior volatilidade" ao mercado alimentar mundial, apesar de não tão fortes e constantes como as verificadas em 2022.
"Os preços aumentaram de início, mas estabilizaram e recentemente existe uma tendência para a baixa, sobretudo devido ao [conflito] no Médio Oriente", analisou a principal responsável da UNCTAD.
O facto de a Rússia ter garantido uma das maiores colheitas da sua história, e a abertura de outros corredores de exportação com a Ucrânia, também favoreceram o mercado, acrescentou Grynspan.
A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro do ano passado, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Os aliados ocidentais da Ucrânia têm fornecido armas a Kyiv e aprovado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.
Leia Também: Primeiros F-16 para formação de pilotos ucranianos chegam à Roménia
Descarregue a nossa App gratuita.
Oitavo ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.
* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com