Tudo o que acontecer na Faixa de Gaza, após o conflito, é "uma questão palestiniana", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, numa conferência de imprensa.
"A questão de quem representa oficialmente os palestinianos e que grupos devem estar presentes na esfera política" cabe aos próprios palestinianos, disse Al-Ansari, em resposta a uma pergunta sobre o desejo de Israel de erradicar o movimento islamita palestiniano que governa a Faixa de Gaza.
"Não cabe a nós nem aos outros responder a essa pergunta", insistiu o porta-voz.
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, disse hoje que as negociações sobre a segunda fase do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, que deverá permitir a libertação de todos os reféns mantidos em Gaza e o fim definitivo da guerra, começariam "esta semana".
"Exigimos uma desmilitarização completa de Gaza. Não aceitaremos a presença contínua do Hamas ou de qualquer outro grupo terrorista em Gaza", enfatizou Saar.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, propôs assumir o controlo do território palestiniano e deslocar os seus 2,4 milhões de habitantes para o Egito e para a Jordânia, um plano rejeitado pelos países árabes, que se preparam para propor um plano alternativo.
O plano dos Estados Unidos agravou as tensões sobre o frágil cessar-fogo em Gaza estabelecido em 19 de janeiro, após uma guerra devastadora desencadeada por um ataque do Hamas contra Israel em 07 de outubro de 2023.
A primeira fase da trégua, que termina em 01 de março, já resultou na libertação de 19 reféns israelitas e 1.134 palestinianos presos por Israel, de um total planeado de 33 reféns e 1.900 palestinianos.
Deverá também permitir a entrada de mais ajuda humanitária na Faixa de Gaza, que está cercada por Israel. Mas o Hamas acusa os israelitas de bloquearem o envio para Gaza de edifícios pré-fabricados e de equipamentos de remoção de entulho.
"A ajuda que entra hoje na Faixa de Gaza é insuficiente, mesmo que multipliquemos por dez o que foi acordado. Usar a ajuda humanitária como carta nas negociações é um crime em si mesmo", disse Majed al-Ansari.
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