"É com profundo pesar que nos associamos à homenagem ao nosso querido amigo e colega Fernando Martínez Mottola, que dedicou a sua vida ao serviço público e à defesa da democracia na Venezuela", anunciou o partido opositor venezuelano Voluntad Popular (VP) na rede X.
Na mesma rede social, o VP explica que Fernando Martínez Mottolla foi um patriota venezuelano comprometido com o resgate da liberdade e da democracia, um funcionário público exemplar, um leal colaborador e amigo daquela organização e, até aos últimos dias da sua vida, um sonhador por uma Venezuela melhor.
Sem avançar com pormenores sobre a hora, lugar e circunstâncias da sua morte, o VP sublinha que, "sem nunca aspirar a qualquer cargo ou benefício público ou privado, Fernando [Mottola] arriscou-se a ser um colaborador de primeira linha na luta pelo resgate da democracia" e contribuiu, "desde várias posições para a unidade, com o governo interino, com os processos de negociação e com a estratégia eleitoral, sem nunca pedir nada em troca".
"Foi um ator fundamental para garantir a coordenação entre a plataforma unitária [principal aliança de partidos opositores] e a líder da oposição María Corina Machado, e foi perseguido pelo seu papel fundamental na garantia de uma posição unida em torno da participação e candidatura para a vitória eleitoral de 28 de julho de 2024 [eleições presidenciais]", aponta o partido, acrescentando que "a sua coragem e determinação levaram-no a procurar refúgio na Embaixada da Argentina em Caracas, em março de 2024, onde permaneceu durante nove meses após as eleições".
"Que a sua memória nos ilumine e inspire a construir a Venezuela com que sonhou e pela qual tanto trabalhou durante a sua vida", conclui a publicação do partido.
Em 20 de dezembro de 2024, o Ministério Público da Venezuela anunciou que Fernando Martínez Mottola, um dos seis opositores exilados desde março de 2024 na embaixada da Argentina em Caracas, abandonou a representação diplomática e entregou-se voluntariamente às autoridades.
Segundo a imprensa local, Martínez Mottola encontrava-se atualmente na sua residência, sujeito a regime de apresentação periódica às autoridades.
Ex-ministro dos Transportes e Comunicações do falecido presidente Carlos Andrés Pérez, Martínez Mottola era assessor da aliança opositora Plataforma de Unidade Democrática e estava refugiado na Embaixada da Argentina em Caracas quando as autoridades venezuelanas o acusaram de estar envolvido em alegados planos para provocar violência e impedir as eleições presidenciais.
Atualmente, encontram-se refugiados na mesma embaixada Pedro Urruchurtu, Magalli Meda, Omar González, Claudia Macero, Humberto Villalobos, todos membros do partido Vente Venezuela, liderado pela opositora Maria Corina Machado, que reclama a vitória do seu candidato nas eleições presidenciais de 28 de julho de 2024.
Os seis opositores foram acusados pela Procuradoria-Geral da República de vários crimes, incluindo conspiração e traição.
A Embaixada da Argentina, segundo a imprensa local, tem estado cercada por agentes de segurança venezuelanos, que teriam cortado a eletricidade e a água e a bloqueado as comunicações.
Apesar de a Argentina ter aprovado os pedidos de asilo, a Venezuela não emitiu os salvo-condutos necessários para que possam abandonar o país.
O Brasil ocupa-se desde agosto da guarda das sedes diplomáticas da Argentina e do Peru na Venezuela, para além da representação dos seus interesses, e representa também os cidadãos destes dois países, depois da expulsão dos membros de ambas as delegações por não aceitarem a vitória de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 28 de julho deste ano.
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