Cientistas advertem que China pode perder 35% das terras aráveis até 2100

A China pode perder até 35% das terras aráveis até 2100 devido às mudanças climáticas, mesmo que os compromissos do Acordo de Paris sejam cumpridos, segundo um estudo publicado na revista Science China Earth Sciences.

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Lusa
27/02/2025 06:08 ‧ há 3 horas por Lusa

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Acordo de Paris

A investigação, conduzida pelo Centro de Análise e Dados Geográficos da Universidade Normal de Pequim, foi financiada pela Fundação Nacional de Ciências Naturais da China e liderada pelo investigador Gao Peichao, noticiou o South China Morning Post, um jornal de Hong Kong.

 

O relatório alerta para o facto de as regiões mais afetadas serem a bacia de Sichuan (centro da China) e as planícies do norte e nordeste do país, onde muitos terrenos agrícolas serão transformados em zonas húmidas e florestas.

Além disso, prevê-se uma redução significativa das terras cultivadas no sul e nas zonas costeiras, com uma expansão das zonas húmidas no leste e no sul do país.

Consequentemente, as áreas de cultivo de alta densidade seriam reduzidas para quase metade, afetando significativamente a produção de cereais.

Os investigadores utilizaram, para a realização do estudo, o CLUMondo e o Modelo de Avaliação das Alterações Globais para avaliar o impacto das alterações climáticas na utilização dos solos num cenário de aumento da temperatura global de 1,5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais, o limiar estabelecido pelo Acordo de Paris em 2016 para evitar os piores impactos climáticos.

A investigação sublinha a necessidade de os países aumentarem os seus esforços de redução das emissões até 2030, atingindo uma descarbonização mínima de 8% por ano a partir dessa data.

O estudo propõe medidas como uma monitorização mais rigorosa das zonas vulneráveis, a melhoria da qualidade dos solos agrícolas e a otimização da gestão dos recursos agrícolas para atenuar os efeitos da perda de terras cultivadas.

O contexto mundial agrava a situação. A Organização Meteorológica Mundial informou que 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com uma temperatura média 1,55°C acima da época pré-industrial.

Apesar disso, apenas 13 dos 195 países que assinaram o Acordo de Paris entregaram os seus planos de redução de emissões dentro do prazo, enquanto grandes economias como a China, a União Europeia e a Índia ainda não cumpriram este compromisso.

O governo chinês recebeu os resultados do estudo, que pode levar a uma atualização das suas políticas de proteção das terras agrícolas, pouco antes do início da reunião anual do Assembleia Popular Nacional, um órgão que não tem poder de supervisão e está sujeito ao controlo do Partido Comunista Chinês.

Leia Também: Objetivo de manter aquecimento global abaixo dos 2°C "está morto"

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