"Os territórios que se tornaram súbditos da Federação Russa estão consagrados na Constituição do nosso país, são parte integrante do nosso país", disse o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, citado pela agência francesa AFP.
A Rússia anexou a Península da Crimeia em 2014 e, já depois de ter invadido a Ucrânia há três anos, as regiões de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, embora não controle a totalidade destes quatro territórios.
"Isto é absolutamente indiscutível e inegociável", insistiu, na sequência de comentários do Presidente norte-americano, Donald Trump, de que a Rússia terá de fazer concessões nas negociações de paz.
Na primeira reunião do seu gabinete, na quarta-feira, Trump disse que o Presidente russo, Vladimir Putin, terá de fazer concessões durante as negociações.
Também garantiu que Washington vai ajudar Kiev a "recuperar o máximo [de território] possível", embora tenha admitido que será complicado, segundo a agência espanhola EFE.
Foi a primeira vez que Trump falou nestes termos sobre as negociações com a Rússia sobre a Ucrânia, que deverão iniciar-se quando Washington e Moscovo normalizarem as relações diplomáticas.
A segunda ronda de conversações russo-americanas para a normalização das relações afetadas pela guerra na Ucrânia realiza-se hoje na cidade turca de Istambul.
Apesar das afirmações do Presidente norte-americano, Peskov disse que Trump admitiu publicamente que está disposto a ouvir.
"É muito importante e diferencia-o radicalmente da anterior administração em Washington", comentou, referindo-se ao antecessor de Trump na presidência, Joe Biden.
Peskov considerou que "ninguém espera que as decisões sejam fáceis e rápidas, porque o problema em causa é demasiado complexo e complicado".
"Mas se a atual vontade política dos dois países, a vontade de se ouvirem mutuamente, se mantiver, acredito que conseguiremos levar este processo de trabalho a bom porto", acrescentou.
Após a primeira ronda de conversações bilaterais na semana passada em Riade, Putin disse que o aumento da confiança entre a Rússia e os Estados Unidos era essencial para a resolução do conflito na Ucrânia.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já tinha levantado a ideia de uma "troca de territórios" com Moscovo, que o Kremlin recusou.
[Notícia atualizada às 10h59]
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