Kara-Murza recorda Nemtsov: "Há dez anos que detesto o mês de fevereiro"

O crítico do Kremlin questionou "como seria o mundo se o seu maior país tivesse um sido liderado por um homem com o objetivo principal de 'viver numa Rússia livre, europeia e democrática'".

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© Stefan Rousseau/PA Images via Getty Images

Notícias ao Minuto
27/02/2025 12:29 ‧ há 2 horas por Notícias ao Minuto

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O jornalista anglo-russo e crítico do Kremlin, Vladimir Kara-Murza, recordou, esta quinta-feira, o "amigo" Boris Nemtsov, no dia em que se assinala o 10.º aniversário do assassínio do opositor russo, e questionou "como seria o mundo se o seu maior país tivesse um sido liderado por um homem com o objetivo principal de 'viver numa Rússia livre, europeia e democrática'".

 

Numa longa publicação na rede social X, Kara-Murza recordou que "Boris Nemtsov e Vladimir Putin chegaram ao mais alto poder federal no mesmo mês, em março de 1997 - Nemtsov como vice-primeiro-ministro, Putin como chefe adjunto da administração presidencial".

No entanto, enquanto Nemtsov era um "político brilhante", com "experiência na tribuna parlamentar" e " reputação de ser o governador mais bem sucedido da Rússia moderna", Putin era um "antigo oficial do KGB" e "um funcionário normal que evitava a publicidade e subia lentamente na carreira".

Ainda assim, a popularidade de Putin foi aumentando e foi eleito presidente da Rússia em 2000, mas Nemtsov "ficou e decidiu lutar".

"Opôs-se a Putin desde o início da sua presidência, ou mesmo antes: em março de 2000, recusou-se a apoiar a candidatura do sucessor do Kremlin às eleições", lembrou Kara-Murza.

O opositor russo foi também responsável por organizar "milhares de manifestações de protesto", a última sendo em setembro de 2014, contra a guerra na Ucrânia e a anexação da Crimeia.

"Nemtsov não podia ser comprado. Não podia ser intimidado. Não podia ser forçado a sair. Por isso, foi morto. A 27 de fevereiro de 2015, ao fim da tarde, com balas nas costas, na ponte Bolshoy Moskvoretsky", atirou.

Kara-Murza - que chegou a ser condenado a 25 de anos de prisão na Rússia, mas foi libertado numa troca de prisioneiros com o Ocidente no ano passado - questionou "como seria o nosso mundo se o seu maior país tivesse sido liderado não por um 'chekista' que sonhava com a antiga "grandeza" do império soviético, mas por um homem cujo objetivo principal e imutável, nas suas próprias palavras, era 'viver numa Rússia livre, europeia e democrática'".

"Há dez anos que detesto o mês de fevereiro. Nestes dias, folheio sempre os livros que Nemtsov me ofereceu e assinou durante os anos da nossa amizade e trabalho em conjunto. Num deles está escrito: 'Com a confiança de que vamos vencer'. Continuo a querer acreditar nisso", concluiu o crítico do Kremlin.

Boris Nemtsov, de 55 anos, estava a passear na Grande Ponte de Pedra com a namorada, a ucraniana Anna Durytska, quando foi atingido por quatro tiros nas costas, o que provocou a sua morte.

Em junho de 2017, cinco homens da república russa da Chechénia foram condenados a penas entre 11 e 20 anos pelo assassínio do opositor russo em troca de 15 milhões de rublos (cerca de 164 mil euros).

Nemtsov foi vice-primeiro-ministro no final da década de 1990, antes de se juntar à oposição. Era um dos opositores mais contundentes do presidente russo, Vladimir Putin, e, aquando da sua morte, ocupava o cargo de deputado no parlamento da região Yaroslavl e co-presidia ao partido RPR-Parnas.

Leia Também: Russos homenageiam Boris Nemtsov no 10.º aniversário da sua morte

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