Tailândia deporta 40 uigures detidos há uma década após acordo com China

A Tailândia confirmou hoje a deportação para a China de 40 membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, apesar dos apelos das Nações Unidas e organizações de defesa dos Direitos Humanos.

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© JACK TAYLOR/AFP via Getty Images

Lusa
27/02/2025 12:17 ‧ há 2 horas por Lusa

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Tailândia

 "Penso que é um procedimento normal repatriar pessoas consideradas imigrantes ilegais. Os uigures não são diferentes, têm de ser repatriados. Quantos anos mais teriam de ser detidos: 11, 12, 13? São seres humanos, devem poder regressar", disse o chefe da polícia tailandesa, Kittirat Panpetch, em conferência de imprensa.

 

A confirmação surgiu após horas de rumores de uma operação secreta. O próprio chefe da polícia tinha dito anteriormente que não podia revelar pormenores por razões de segurança nacional.

A primeira-ministra tailandesa, Paethongtarn Shinawatra, indicou no parlamento que tinha de receber "informações pormenorizadas" sobre o que tinha acontecido, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros tailandês ainda não tinha respondido às perguntas numa conversa com jornalistas sobre o assunto.

O Ministério da Segurança Pública da China informou anteriormente que a Tailândia deportou 40 cidadãos chineses que se encontravam em "situação migratória irregular" no âmbito de uma operação conjunta entre a China e a Tailândia contra crimes transfronteiriços, sem especificar que se tratava de uigures.

De acordo com o comunicado do ministério, as autoridades de ambos os países garantiram que o processo de deportação foi efetuado "em conformidade com a legislação em vigor e com as normas internacionais".

A imprensa tailandesa indicou desde o início que os deportados eram uigures, partilhando imagens de várias carrinhas com as janelas cobertas com celofane preto que saíram do centro de detenção onde cerca de 48 uigures estavam detidos há anos.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Lin Jian, disse numa conferência de imprensa em Pequim, quando questionado sobre as deportações, que "a China é um Estado de Direito em termos de proteção dos Direitos Humanos de todos os grupos étnicos, incluindo o povo de Xinjiang", a região ocidental chinesa de onde são originários os uigures.

"Quero dizer que os seus direitos estão a ser protegidos. A imigração ilegal é um crime e nós opomo-nos ao tráfico de seres humanos", acrescentou.

No final de janeiro, a ONU pediu à Tailândia para suspender "imediatamente" a deportação de 48 uigures para a China, devido ao risco de represálias contra os membros da minoria étnica. Desconhece-se a situação dos oito que não foram deportados.

Elaine Pearson, diretora do Observatório dos Direitos Humanos para a Ásia, afirmou que "enviar os uigures detidos para a China é uma violação flagrante das obrigações da Tailândia ao abrigo do Direito interno e internacional".

Os 48 uigures fazem parte de um grupo de cerca de 350 pessoas desta minoria ligada aos povos da Ásia Central que foram detidas em 2014 quando entraram irregularmente na Tailândia.

Em 2015, Banguecoque deportou mais de 100 homens uigures para a China, desencadeando uma onda de indignação internacional, e paralelamente enviou 170 mulheres e crianças uigures para a Turquia.

O resto do grupo que não foi deportado está incomunicável, sem acesso a advogados, familiares ou representantes de agências da ONU.

Nos últimos anos, várias organização e governos ocidentais acusaram Pequim de reprimir e deter milhares de uigures em centros de reeducação.

Leia Também: Número de presos estrangeiros desceu 23% entre 2013 e 2023

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