Oito ex-líderes africanos lançam iniciativa para aliviar crise da dívida

Oito antigos líderes africanos lançaram hoje uma iniciativa para aliviar a crise da dívida que está a sufocar dezenas de países do continente e do sul global, enquanto crescem os apelos à reforma da arquitetura financeira mundial.

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Lusa
27/02/2025 12:40 ‧ há 2 horas por Lusa

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"Estamos preocupados com a questão da dívida. O que ela faz é asfixiar o desenvolvimento e o dinheiro que deveria ter ido para áreas essenciais do bem-estar humano e do desenvolvimento, educação, saúde, nutrição, é dado para pagar uma dívida que parece interminável", disse o antigo Presidente nigeriano Olusegun Obasanjo.

 

O antigo dirigente falava numa conferência de imprensa à margem da primeira reunião dos ministros das Finanças e dos governadores dos bancos centrais do G20, sob a presidência sul-africana do grupo de países desenvolvidos e emergentes, que decorre desde quarta-feira, na Cidade do Cabo, no sudoeste da África.

"E não estamos a falar apenas em nome de África, estamos a falar em nome de todos os países em desenvolvimento do mundo, na América Latina, nas Caraíbas, na Ásia, onde este alívio (da dívida) é necessário", afirmou Obasanjo.

A ele juntam-se os antigos presidentes do Senegal (Macky Sall), do Maláui (Joyce Banda), da Tanzânia (Jakaya Kikwete), das Maurícias (Ameenah Gurib-Fakim) e do Gana (Nana Akufo-Addo) na promoção da chamada Iniciativa dos Líderes Africanos para o Alívio da Dívida.

O antigo primeiro-ministro da Etiópia Hailemariam Desalegn e o antigo vice-Presidente da Nigéria Yemi Obasanjo também assinaram o documento.

Na sua declaração, os líderes apelam a "um processo de reestruturação da dívida previsível, justo e inclusivo que envolva todos os credores - privados, bilaterais e multilaterais", bem como a "mecanismos de congelamento da dívida para criar espaço fiscal para o desenvolvimento e investimentos climáticos", mencionando também o cancelamento da dívida como outra possibilidade durante a conferência de imprensa.

A crise da dívida é precisamente uma das prioridades da África do Sul na sua presidência do G20.

Em África, cerca de 20 países correm um risco elevado de sobre-endividamento externo ou já o têm, num total de 35 nações do mundo em desenvolvimento afetadas por esta situação, de acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como solução, os países do G20 decidiram em 2020 criar um Quadro Comum de Gestão da Dívida, ao qual aderiram quatro países africanos - Zâmbia, Gana, Etiópia e Chade.

Mas não só este mecanismo não tem sido suficientemente rápido, com as negociações para reestruturar a dívida a demorarem anos, como a sua utilização faz baixar ainda mais a classificação de risco dos Estados para os investidores, entre outros problemas.

Ao contrário do Quadro Comum, em que cada país pede ajuda individualmente, os líderes africanos querem defender um cenário em que possam negociar com todos os credores ao mesmo tempo, embora não tenham dado mais pormenores sobre a forma que esse mecanismo assumiria.

O G20 é composto por 19 países (Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Arábia Saudita, África do Sul, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos) e duas organizações regionais: A União Europeia (UE) e a União Africana (UA).

A África do Sul, a economia mais industrializada de África, encerra um ciclo em que os 19 países do grupo se revezaram na sua presidência, cabendo a Washington a coordenação da organização em 2026.

Leia Também: Humanos já viviam nas selvas africanas há 150 mil anos

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