"Após relatos dos meios de comunicação social, é claro que esta noite, 27/02/25 às 19h00 [17h00 em Lisboa], as investigações das FDI [Forças de Defesa de Israel] serão apresentadas ao público em geral", disse o chefe de gabinete de Netanyahu, Tzachi Braverman, numa carta às autoridades militares partilhada pelo gabinete do primeiro-ministro.
"Estas investigações foram apresentadas ao ministro da Defesa, à liderança das FDI e a vários jornalistas. Surpreendentemente, apenas uma parte não recebeu as investigações: o primeiro-ministro", lamenta o texto da carta citado pela agência France-Presse (AFP).
Braverman argumentou que Netanyahu deveria receber estes relatórios sem ter de os solicitar.
A maioria da sociedade israelita, incluindo os eleitores que apoiam a atual coligação governamental, é favorável à criação de uma comissão pública para investigar os ataques de 07 de outubro, de acordo com as sondagens.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, ordenou ao chefe do Estado-Maior, Herzi Halevi, que envie todas as investigações militares internas sobre o 07 de outubro até fevereiro de 2025 e disse que não aprovará a nomeação de novos oficiais generais até lá.
Halevi, que anunciou a sua intenção de se demitir em meados de janeiro, defendeu num discurso que era necessário um inquérito público sobre os erros que levaram aos ataques do Hamas.
"As investigações militares dizem apenas respeito às FDI e não cobrem todas as razões e áreas que poderiam impedir a repetição destes eventos", disse o comandante das forças israelitas aos meios de comunicação social na altura.
Halevi indicou ainda que uma comissão pública de inquérito ou "qualquer ator externo" receberia total cooperação do Exército.
O responsável deverá deixar o cargo no dia 6 de março.
Os ataques sem precedentes do Hamas no sul do território israelita em 07 de outubro de 2023 fizeram cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.
Em retaliação, Israel lançou uma operação militar em grande escala, que provocou mais de 48 mil mortos, na maioria civis, segundo as autoridades locais, e destruiu o enclave palestiniano.
As partes chegaram a um acordo de cessar-fogo que entrou em vigor em 19 de janeiro, mas a dois dias do término da primeira de três fases ainda não foram negociados os termos da segunda, que deveria pôr termo à guerra.
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