Num comunicado, a agência das Nações Unidas avançou que tem "aproximadamente 5.700 toneladas de reservas alimentares em Gaza", o que lhe permite distribuir pacotes, farinha para pão ou refeições quentes durante um período de "até duas semanas, no máximo".
A situação humanitária em Gaza tem estado particularmente dramática desde que Israel fechou as passagens de ajuda humanitária, a 02 de março, na esperança de forçar o grupo islamita Hamas a entregar os reféns que ainda estão retidos no território palestiniano.
Além disso, o exército israelita retomou os seus bombardeamentos a 18 de março, seguidos de operações terrestres, após um cessar-fogo de dois meses na guerra desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel a 07 de outubro de 2023.
"Centenas de milhares de pessoas em Gaza estão novamente em risco de fome severa e desnutrição, à medida que os fornecimentos de ajuda alimentar na Faixa de Gaza diminuem e as fronteiras permanecem fechadas à ajuda humanitária", alertou o PAM.
O número de mortos na Faixa de Gaza desde o início da guerra superou no fim de semana os 50 mil, na sequência dos últimos bombardeamentos israelitas no enclave palestiniano, segundo dados fornecidos pelas autoridades locais, controladas pelo Hamas.
Desde o recomeço das operações militares no enclave palestiniano, já foram mortas mais de 800 pessoas e deslocadas mais de 142 mil, de acordo com o porta-voz do secretário-geral da ONU.
"Em apenas uma semana, 142.000 pessoas foram deslocadas e espera-se que este número aumente", afirmou na quarta-feira Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral, António Guterres.
A mesma fonte referiu que "os bombardeamentos incessantes e as ordens de evacuação diárias, combinados com o bloqueio contínuo da entrada" de ajuda humanitária desde há um mês e a "recusa sistemática de movimentos humanitários no interior do território" estão a ter "um impacto devastador em toda a população de dois milhões de habitantes", acrescentando que os recursos em Gaza "estão a esgotar-se".
"Os nossos parceiros humanitários alertam para o facto de as reservas médicas, o gás para cozinhar e o combustível necessário para o funcionamento das padarias e das ambulâncias serem perigosamente baixos", relatou ainda o representante da ONU.
Na segunda-feira, o porta-voz de António Guterres anunciou que o pessoal internacional da ONU na Faixa de Gaza foi reduzido temporariamente em um terço por razões operacionais e de segurança.
Este corte representa cerca de 30 pessoas de várias agências - desde o Programa Alimentar Mundial ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, entre outras --- da centena de funcionários estrangeiros que estão atualmente em Gaza, disse então Stéphane Dujarric.
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