"Vamos investir em projetos de terras raras na região do Ártico, incluindo na região de Murmansk, onde estamos atualmente a avaliar vários projetos", disse Dmietriev, numa conferência de imprensa realizada no âmbito do Fórum Internacional do Ártico, a decorrer desde quarta-feira.
Kirill Dmitriev é o presidente executivo do Fundo Russo de Investimento Direto, um fundo soberano de cerca de nove mil milhões de euros, criado pelo Kremlin (presidência russa) para coinvestir na economia russa.
"A Rússia é um dos líderes mundiais em terras raras", acrescentou.
Segundo o responsável, a Rússia tem também a quarta maior reserva de metais raros, um setor no qual planeia investir.
Dmitriev adiantou ainda haver uma possibilidade de colaboração com os Estados Unidos na região, mostrando-se otimista face à recente posição daquele país.
"Vemos realmente uma possibilidade de colaborar com os EUA em vários projetos no Ártico, pois vemos o seu interesse em determinadas tecnologias russas, como na área do gás natural liquefeito", afirmou.
O Fundo de Investimento do Ártico deverá ser estabelecido até ao final de 2025, com o fundo soberano russo como principal investidor, e outras instituições, incluindo bancos ou fundos de pensões como participantes convidadas para o seu desenvolvimento.
Dmitriev destacou ainda a necessidade de continuar a desenvolver a Rota do Mar do Norte, através da qual a Rússia espera transportar mais de 40 milhões de toneladas de carga só este ano.
A Casa Branca tem mostrado, nos últimos meses, um interesse muito grande em metais raros, nomeadamente na Groenlândia e na Ucrânia.
No caso da Gronelândia, a ilha ártica autónoma governada pela Dinamarca que o presidente norte-americano quer anexar, o interesse surgiu no primeiro mandato de Donald Trump, mas tornou-se muito mais insistente nos últimos meses, depois de terem sido mapeados minerais de terras raras presos sob o gelo.
Em relação à Ucrânia, Trump quis assinar um acordo para exploração dos minerais e das terras raras em troca da ajuda militar que os Estados Unidos dão àquele país em guerra.
Leia Também: Ucrânia nega violação da trégua e devolve acusação a Moscovo