ONU denuncia ilegalidade das ordens israelitas de evacuação em Gaza

A ONU denunciou hoje que o retomar das ordens de evacuação por parte de Israel em Gaza "não está em conformidade com o direito internacional" e alertou para a deslocação forçada de milhares de pessoas.

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Lusa
28/03/2025 13:45 ‧ há 3 dias por Lusa

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"Estamos profundamente preocupados com o espaço cada vez menor disponível para os civis em Gaza que estão a ser deslocados à força pelo exército israelita. Desde o reinício da ofensiva, a 18 de março, as forças israelitas emitiram 10 ordens de evacuação obrigatórias, afetando todas as províncias da Faixa de Gaza", disse o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Thameen al-Kheetan, em comunicado.

 

O porta-voz manifestou ainda a sua "particular preocupação com a situação no norte de Gaza, onde praticamente metade do território está sujeito a este tipo de ordens".

"Milhares de palestinianos estão presos em Khan Yunis e Rafah. Aqueles que são forçados a mudar-se não têm garantias de segurança. O exército está a ordenar à população que se mova em direção a Al-Mawasi, que foi recentemente bombardeada", explicou Thameen al-Kheetan.

No mesmo comunicado, o representante indicou que Israel "não está a tomar as medidas necessárias para acomodar a população deslocada nem está a garantir que estas evacuações cumprem os padrões mínimos de higiene e segurança".

O porta-voz reiterou que a ONU apelou a todas as partes envolvidas para que cheguem a um "cessar-fogo permanente o mais rapidamente possível".

"Israel deve acabar com o bloqueio da ajuda humanitária o mais rapidamente possível e impedir qualquer ação que possa levar à deslocalização forçada da população de Gaza", afirmou, ainda citado no mesmo comunicado.

Israel rompeu o cessar-fogo em Gaza a 18 de março e desde então os ataques israelitas já causaram mais de 800 mortos e cerca de 1.800 feridos no enclave palestiniano.

Estes ataques interromperam uma trégua entre o grupo radical palestiniano Hamas e Israel iniciada em 19 de janeiro, ao fim de mais de 15 meses de ofensiva, e ocorrem num momento em que as partes não alcançam entendimento para avançar para as etapas seguintes do acordo de cessar-fogo.

A ofensiva contra Gaza foi desencadeada por um ataque do Hamas no sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e 250 reféns.

Leia Também: Milhares de iranianos gritam nas ruas 'Morte a Israel'

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