PSOE e PP fizeram pacto para "que tudo fique na mesma"
O secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, disse hoje que o PSOE e o PP fizeram um pacto mediante o qual os socialistas conservam o poder na Andaluzia e os populares ganham a nível nacional, "para que não haja mudança".
© Reuters
Mundo Podemos
"Quando mais avança a campanha mais nervosos estão [os partidos tradicionais]. Porque o fundamental para eles é que tudo fique na mesma - 'Eu em Madrid e tu em Sevilha'", disse Pablo Iglesias no comício de encerramento da campanha para as eleições da Andaluzia, no Velódromo de Dos Hermanas, em Sevilha.
Entre aplausos de pé pacto, gritos e "ondas humanas" [porque o recinto é uma oval para ciclismo com bancadas em volta de um palco central], Pablo Iglesias realçou que os dois principais partidos são "os partidos do Não", do "Não se pode", "para que não haja uma mudança".
"O pacto já está feito, companheiras e companheiros, e é simples: o partido da flor na mão (PSOE) na Andaluzia e o das gaivotas (PP) em Espanha", gritou Pablo Iglesias, perante cerca de 12.500 apoiantes que enchiam o recinto.
Entre uma e outra onda nas bancadas, Iglesias interagiu com o público, fazendo perguntas ("O que dizemos a quem acha que não se pode?") e gritando em coro as respostas: "Sí, se puede!" (Sim, pode-se).
"Estamos já perto de domingo e aqui já cheira a mudança", disse o secretário-geral do Podemos, perante uma assistência com bandeiras roxas do partido e muitas da Andaluzia (verde e branca).
Já antes de Iglesias, o seu "número 2", Ínigo Errejón, tinha considerado que o comício de hoje e a campanha na Andaluzia "são o sintoma de uma mudança irreversível que se verá em maio (municipais e autonómicas) e em novembro (eleições gerais) em toda a Espanha".
O dirigente reiterou a ideia de um "plano de resgate para recuperar as instituições", para que se possa estender a mão a toda a gente" e não apenas aos bancos, às grandes empresas e aos "amigos" dos partidos que se revezam no poder.
"Nunca vimos ninguém a resgatar uma frutaria, nunca vimos ninguém a resgatar as pessoas", disse Errejón, antes de apontar a mira ao PSOE e ao PP.
"Há que pagar as dívidas, claro. Mas aqui na Andaluzia toda a gente paga, com suor, menos dois: o PSOE e o PP", que pagam aos bancos com favores, disse Errejón.
A candidata a presidente da Junta da Andaluzia, Teresa Rodríguez, também levantou o recinto, ao atacar o PSOE (no poder na Andaluzia há 33 anos) com os números da pobreza na região.
"Aqui existem 650 mil jovens a viver abaixo do limiar da pobreza. E falavam eles no medo por causa dos partidos novos. Medo não é votar num partido novo, medo é ficarmos todos como estamos. Isso é que me dá medo", salientou.
No domingo, cerca de seis milhões e meio de eleitores na Andaluzia vão eleger os 109 deputados do parlamento andaluz, numa eleição que é a primeira do ano político em Espanha.
As sondagens indicam que na Andaluzia joga-se o fim do bipartidarismo (PSOE e PP), com os socialistas à frente, mas sem maioria absoluta, o que os força a acordos de coligação.
Descarregue a nossa App gratuita.
Oitavo ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.
* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com