INEM? Ministra "agirá em conformidade com as recomendações" da IGAS

Após a divulgação do relatório preliminar da IGAS, o Ministério da Saúde garantiu que irá analisar a "existência de constrangimentos no que respeita ao circuito dos pré-avisos de greve".

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© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images

Notícias ao Minuto com Lusa
27/02/2025 13:26 ‧ há 2 horas por Notícias ao Minuto com Lusa

País

Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde afirmou, esta quinta-feira, que irá analisar a "existência de constrangimentos no que respeita ao circuito dos pré-avisos de greve" entre os dias 31 de outubro e 4 de novembro e que a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, "agirá em conformidade com as recomendações feitas" pela Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

 

Em causa está o facto de um relatório da IGAS ter indicado que o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) ficou impedido de definir os serviços mínimos por não ter recebido atempadamente do Ministério da Saúde os pré-avisos dos sindicatos.

Segundo um comunicado, enviado às redações, o ministério confirmou que Ana Paula Martins "recebeu o relatório preliminar" sobre "cumprimento das normas de segurança do trabalho e da capacidade operacional dos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do INEM" durante as greves.

No entanto, "aguarda a finalização deste inquérito" e de outro sobre eventuais falhas de socorro aos cidadãos durante os dias das greves e, por isso, "só "nesse momento será possível fazer uma avaliação final e necessariamente conjunta das conclusões apuradas".

"A ministra da Saúde está a analisar e terá em consideração as dificuldades relativas às duas greves que são referidas no relatório. Este relatório, ainda em fase preliminar, refere designadamente a existência de constrangimentos no que respeita ao circuito dos pré-avisos de greve, nomeadamente entre os sindicatos, INEM e Secretaria-Geral do Ministério da Saúde", lê-se no documento, que frisa que a ministra da Saúde "agirá em conformidade com as recomendações feitas pela IGAS".

Ministério da Saúde não informou INEM de greve dos técnicos de emergência

Ministério da Saúde não informou INEM de greve dos técnicos de emergência

A inspeção que analisou o impacto da greve dos técnicos de emergência no ano passado concluiu que o INEM ficou impedido de definir os serviços mínimos por não ter recebido atempadamente do Ministério da Saúde os pré-avisos dos sindicatos.

Lusa | 19:09 - 26/02/2025

O documento recorda que o INEM, entre 2022 e 2024, uma "diminuição significativa de recursos humanos" e os "meios terrestres não foram renovados nos últimos anos". 

"Quando este Governo tomou posse, havia ambulâncias paradas por falta de manutenção, viaturas médicas de emergência sem tripulações e técnicos de emergência pré-hospitalar que ingressavam na carreira sem terminarem a formação", lê-se no comunicado do Ministério da Saúde, que acrescenta que "esta trajetória de carências operacionais e recursos humanos já começou a ser invertida".

Reconhecendo o "esforço de todos os profissionais do INEM, que apesar dos constrangimentos e sobrecarga do trabalho, continuaram a prestar cuidados de emergência à população", o ministério lembrou que o período analisado pela IGAS foi "marcado pela coincidência de três factos manifestamente excecionais".

Entre os factos estão duas greves nos dias 31 de outubro e 4 de novembro: uma decretada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-hospitalar (STEHP) e outra pela Federação Nacional Sindical de Sindicatos Independentes da Administração Pública (FESINAP).

A primeira tratou-se de uma "greve às horas extraordinárias realizadas pelos TEHP e outra não direcionada para os profissionais do INEM, mas à qual estes acabaram por aderir".

A estas greves, explica a tutela de Ana Paula Martins, soma-se o facto de o CODU ter registado, no dia 4 de novembro, "o maior número de chamadas dos últimos anos".

Segundo o relatório preliminar IGAS, o INEM "não recebeu atempadamente a comunicação de pré-avisos das greves gerais convocadas para os dias 31 de outubro e 4 de novembro".

Nesse sentido, "não tendo conhecimento dos detalhes neles constantes quanto ao tipo e duração das greves, bem como dos serviços mínimos propostos, ficou inviabilizada a possibilidade de eventual contestação dos serviços mínimos tendente à sua negociação".

Esse pedido de negociação por parte do INEM "apenas poderia ter sido feito nas primeiras 24 horas seguintes à respetiva emissão de cada pré-aviso", segundo a IGAS.

Ao INEM só chegou o pré-aviso da greve às horas extraordinárias convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH).

Já os pré-avisos das greves da função pública para o dia 31 de outubro e dia 4 de novembro "não foram comunicados diretamente ao INEM, mas sim à Secretaria-Geral do Ministério da Saúde (SGMS) e aos gabinetes dos membros do governo (que, no caso da saúde, os remeteram à SGMS no dia 24 de outubro".

As mortes de 11 pessoas alegadamente associadas a falhas no atendimento do INEM motivaram a abertura de sete inquéritos no Ministério Público, um dos quais já arquivado.

[Notícia atualizada às 13h48]

Leia Também: Pedro Nuno pede que Marcelo fale sobre "caso grave" do INEM

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