Alegado líder de rede de burlas digitais diz ser inocente em tribunal

O principal arguido que começou hoje a ser julgado em Coimbra por suspeita de burlas digitais com contas bancárias afirmou estar inocente, num testemunho ao qual foram apontadas várias contradições pelo coletivo.

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© Maria João Gala / Global Imagens

Lusa
27/02/2025 14:40 ‧ há 4 horas por Lusa

País

tribunal de Coimbra

O principal suspeito é acusado de funcionar como uma espécie de pivô de uma rede que criava 'sites' falsos de bancos para conseguir aceder a contas bancárias das vítimas, que terão perdido num curto espaço de tempo mais de 43 mil euros.

 

O arguido foi hoje ouvido no arranque do julgamento a partir do Brasil, onde se encontra desde que foi deduzida acusação, tendo negado qualquer envolvimento no grupo, num testemunho ao qual foram apontadas várias contradições que justificariam mensagens que trocava com outro dos suspeitos.

O homem de 41 anos, que tem o filho também no banco dos réus, disse que conheceu outro dos arguidos (os dois acumulam a maioria dos crimes presentes na acusação) quando se mudou do Porto para o Algarve, alegando que este lhe dava produtos para revender (no processo, o Ministério Público acusa o grupo de comprar vários equipamentos eletrónicos com recurso às contas burladas).

Por várias vezes disse que não praticou qualquer dos factos presentes na acusação e que a própria ida para o Brasil no mesmo momento em que foi deduzida acusação foi uma mera coincidência.

Em vários momentos, perante as histórias contadas pelo arguido, quer procuradora, quer advogados que representam outros arguidos, quer o próprio coletivo de juízes, admitiram não compreender as justificações dadas perante algumas mensagens encontradas no telemóvel do outro principal arguido, que está preso preventivamente.

A procuradora do Ministério Público disse estar "um pouco confusa" com o testemunho do arguido, recordando conversas onde este pedia ao outro suspeito para "atualizar contas" e as referências de pagamentos em páginas de lojas como a Fnac ou Worten.

Para explicar essas conversas, o arguido disse inicialmente que era para um grupo de "jogos 'online'".

"O senhor está claramente a dar indicações. O momento do jogo é às 09:25 da manhã? Começavam a jogar de manhã?", perguntou o juiz que preside ao coletivo.

O arguido precisou depois que o grupo era para apostas em jogos de futebol e que haveria melhores probabilidades apostando de manhã.

Sobre a referência na conversa à localidade do Porto, o homem disse que estava relacionado com um jogo que o Futebol Clube do Porto ia jogar.

A determinada altura, face a respostas evasivas, a procuradora desistiu de fazer mais perguntas: "Não vale a pena, que eu não fico esclarecida".

Um dos juízes insistiu na questão, recordando que dias depois o Porto jogaria com o Shakhtar, ganhando por 5-3, para a Liga dos Campeões.

"As 'odds' não são maiores ou menores de acordo com a hora [o arguido alegava que de manhã as probabilidades eram maiores]", notou o juiz, recordando até as probabilidades que havia para esse jogo.

Mais à frente, outro juiz constatou que o arguido também fez referência a Aveiro e a Faro em conversas presentes no processo.

"Também é um clube? É o Beira-Mar? Mais à frente, fala de Faro. Está a falar do Farense?", perguntou o magistrado, não esperando por resposta para dizer: "Deixe-se lá disso".

A rede é acusada de participar em sete casos distintos de burlas, a maioria a ter ocorrido no final de 2023, num processo em que o Ministério Público admite não ter conseguido identificar todos os envolvidos, nomeadamente os 'hackers'.

Os dois principais arguidos são acusados de dois crimes de branqueamento, cinco de burla qualificada, dez de falsidade informática, cinco de burla informática e um de falsificação de documento.

Sete arguidos são acusados de branqueamento, por servirem como contas mulas da operação, e três de recetação, por irem recolher os equipamentos comprados às lojas.

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