A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, mostrou-se preocupada com as falhas de comunicação apontadas pelo relatório da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) e referiu que perante todos os dados que estão a ser apurados tomará as decisões que "forem mais adequadas".
Questionada acerca os resultados preliminares, conhecidos na quarta-feira e que hoje já fizeram os partidos da oposição pedir a sua demissão do cargo, Ana Paula Marins apontou: "Aquele relatório não é sobre os casos fatais, que estão a ser avaliados e investigados - se terão tido ou não a ver com falhas de socorro -, mas sim sobre algo que é muito importante, que é o cumprimento e que é o cumprimento dos serviços mínimos e se realmente a organização que foi realizada pelo INEM era de facto a adequada".
Apesar de não serem os resultados finais, o documento já aponta, no entanto, responsabilidades ao Ministério da Saúde, Ana Paula Martins, nomeadamente, em relação a "falhas de comunicação" com o ministério. "É verdade que temos várias áreas visadas no relatório - a secretaria, os gabinetes -, mas, objetivamente, é importante que se revejam os procedimentos de informação e de comunicação, nomeadamente, deste tipo pré-avisos de greve às entidades do Ministério da Saúde. Isto é muito claro no relatório. É algo que nos tem que preocupar. Se não temos os procedimentos mais adequados para garantir que perante um pré-aviso de greve o INEM teria de ser avisado, temos mesmo de tonar, desde já, ações para esta correção. Mesmo antes do relatório final".
Ana Paula Martins apontou, no entanto, que o relatório indica outra linha de preocupação, nomeadamente, a melhoria por parte do INEM no que diz respeito à convocação de serviços mínimos.
Questionada sobre se, tal como os partidos políticos estão a pedir, já deveriam ser tiradas ilações políticas, a governante afirmou: "Não me parece que possamos, neste momento, tirar ilações políticas. Neste momento, temos um relatório que, não sendo final, já traz alguma luz sobre aquilo que se passou naqueles dias termos de organização do trabalho".
Confrontada sobre se no documento se encontra alguma relação entre as mortes por alegada falta de assistência e o número de chamadas que ficaram por atender, Ana Paula Martins afirmou: "Eu não consigo, neste relatório, identificar nenhuma correlação. Nem é feita nenhuma correlação. Neste relatório não há nenhum tipo de correlação porque não era esse o alvo da investigação - sobre falhas de socorro e pessoas que, fatalmente, tiveram desfechos negativos."
Ainda questionada sobre se o relatório iria "beliscar" o cargo, a ministra disse que a sua prioridade era apurar o que aconteceu no período analisado. "E se aquilo que aconteceu teve alguma relação com as pessoas que, infelizmente, perderam a vida. Não podemos precipitar conclusões antes de termos essa informações e relatórios", apontou, referindo-se a documentos que ainda não são conhecidos. "O Ministério Público e a IGAS têm os seus próprios tempos. Não sei quando é que o MP e IGAS ter\ao preparados estes relatórios", acrescentou.
Descartando este ser o tempo para tirar ilações políticas, Ana Paula Martins garantiu que quando todos os resultados forem conhecidos tomará as "decisões mais adequadas" e garantiu que "jamais se furtará a qualquer tipo de responsabilidade de natureza política".
[Notícia atualizada às 17h06
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