"A ministra da Saúde, relativamente às conclusões ainda preliminares do relatório da IGAS, coloca-se na situação em que ela própria se colocou, porque, quando a questão se colocou, a senhora ministra disse que, quando houvesse um relatório, quando houvesse conclusões, teria que tirar responsabilidades políticas e consequências políticas. Agora já temos o relatório, é o momento de retirar consequências políticas", afirmou.
Rui Rocha apontou como "muito provável que tenha havido mortes de portugueses porque não houve uma resposta" do INEM, e "isso é uma situação absolutamente intolerável".
"Eu não estou a dizer que a ministra tem uma responsabilidade direta, mas há uma coisa muito importante que é a responsabilidade política. Se isso aconteceu em função de um mau funcionamento do seu ministério, eu creio que há consequências políticas a tirar", defendeu, acrescentando que a própria ministra "deve por em causa a sua própria continuidade".
Falando aos jornalistas na Assembleia da República, Rui Rocha afirmou que "dia a dia essas condições [para continuar no cargo] estão-se a degradar" e que "o que está em causa é mesmo a situação da ministra da Saúde" por causa "desta situação, mas [também] de muitas outras coisas".
"Se somarmos a situação do INEM a toda a incapacidade política que a ministra tem revelado relativamente às questões mais diversas, como por exemplo a questão do Hospital Amadora-Sintra, eu diria que a secretária de Estado da Gestão da Saúde já devia ter saído e tenho muitas dúvidas que seja ainda a ministra em funções que vá tomar essa decisão, se não será já outra pessoa que tem que tomar essa decisão", disse.
Rui Rocha considerou igualmente que as conclusões da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) confirmam que também a secretária de Estado Cristina Vaz Tomé "não tem condições para continuar em funções".
O líder da IL assinalou a última audição da ministra Ana Paula Martins no parlamento foi "perturbadora, porque não sabia o que fazer no Hospital Amadora-Sintra, não tinha dados, não conseguia dar respostas".
"Nós temos de ter uma ministra da Saúde que tem respostas, que tem soluções, e nada disso tem acontecido", criticou.
A inspeção que analisou o impacto da greve dos técnicos de emergência no ano passado concluiu que o INEM ficou impedido de definir os serviços mínimos por não ter recebido atempadamente do Ministério da Saúde os pré-avisos dos sindicatos.
Segundo o relatório preliminar da IGAS, divulgado na quarta-feira, o INEM "não recebeu atempadamente a comunicação de pré-avisos das greves gerais convocadas para os dias 31 de outubro e 4 de novembro".
Nesse sentido, "não tendo conhecimento dos detalhes neles constantes quanto ao tipo e duração das greves, bem como dos serviços mínimos propostos, ficou inviabilizada a possibilidade de eventual contestação dos serviços mínimos tendente à sua negociação".
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