"Contra factos há sempre argumentos", disse o ministro, que falava no Grémio Literário, em Lisboa, no encerramento do ciclo de jantares promovidos pelo Clube de Imprensa, Centro Nacional de Cultura e Grémio Literário, subordinados ao tema "Portugal - o presente tem futuro?".
"Sobretudo porque não conseguimos colocar-nos de acordo quanto aos processos credíveis de apuramento dos factos que devem servir de base às nossas decisões públicas", observou.
"Penso que é claro hoje para todos que não interiorizámos as consequências das escolhas que realizámos e conseguimos concretizar: aderir ao euro e estar na primeira linha da construção europeia", disse.
Para o ministro, os portugueses concordaram "em mudar de regime monetário e em partilhar a moeda com os parceiros mais competitivos da Europa, mas não concordaram sobre as mudanças internas nas regras de jogo a que isso obrigava".
O ministro adjunto defendeu ainda que na origem da crise económica que Portugal atravessa "está também um problema de cultura política e cívica" e que isso explica a razão por que numa das suas crises económicas, sociais e políticas mais graves o país não tenha promovido reformas nem se tenha apercebido da necessidade destas.
Como soluções para o futuro, o governante disse que o país tem que "discutir mais políticas públicas e menos tática política" e que todos, "incluindo o Governo" devem contribuir para um debate público "mais informado e com maior substância".