"Esta alteração que eu promovi no ano passado [para a representação de Portugal na Bienal de Arquitetura de Veneza 2025] está agora a ser replicada para a bienal de arte, cumprindo prazos", declarou Dalila Rodrigues aos jornalistas no final da apresentação do projeto "Paraíso. Hoje", no Centro Cultural de Belém (CCB).
A ministra da Cultura falava no edifício da Garagem Sul, onde foi apresentado o projeto dos arquitetos Paula Melâneo, Pedro Bandeira e Luca Martinucci, escolhido para representação oficial de Portugal da bienal que irá decorrer entre 10 de maio e 23 de novembro com a curadoria geral de Carlo Ratti, sob o tema "Intelligens. Natural. Artificial. Collective".
"Não houve sequer uma voz contrária. O país aceitou de forma pacífica, reconhecida até, o imperativo de auscultar para construirmos a partir do diálogo", sublinhou a governante sobre a alteração do modelo de representação que decidiu implementar quando assumiu o cargo no Governo, em abril.
Em julho do ano passado, o Ministério da Cultura anunciou que a apresentação de candidaturas para representar Portugal na Bienal de Veneza deixava de ser feita por convite a um grupo limitado de candidatos e passava a ser aberta "de forma a garantir uma participação ampla".
"É muito importante que Portugal participe na Bienal de Arquitetura, que começa em maio, e que prepare já o processo de representação na Bienal de Arte de 2026", comentou a ministra, acrescentando que "houve uma antecipação, na medida do possível, de alguns meses" em relação ao lançamento do concurso anterior, remetendo os atrasos para "os processos dos espartilhos jurídico-administrativos".
O novo modelo passou a incluir, na primeira fase, uma chamada à manifestação de interesse, permitindo a apresentação de candidaturas "a todos os que desejem participar" em nome individual ou coletivo, anunciou a tutela, no ano passado.
"Eu defendo que os governantes têm a obrigação de auscultar, de dialogar, de ouvir, quem representa Portugal. Por isso fizemos uma candidatura aberta [para a Bienal de Arquitetura], e recebemos 31 propostas de grande qualidade. O júri nomeado, com critérios, selecionou o que entendeu ser a melhor proposta", disse a ministra.
Dalila Rodrigues disse ter assinado na terça-feira o despacho da constituição do júri para o concurso de representação de Portugal na Bienal de Arte de Veneza de 2026, que será composto por José Bragança de Miranda, reitor da Universidade Lusófona, Andreia Magalhães, diretora artística do Centro Arte Oliva, pelo arquiteto e investigador Joaquim Moreno, pelo diretor do Museu Vieira da Silva Nuno Faria e pela curadora Marta Mestre.
Na apresentação do projeto "Paraíso. Hoje", os curadores indicaram que irão mostrar os conteúdos no final de março, no Palácio da Ajuda, em Lisboa, e falaram do conceito e da metodologia, que envolve uma chamada pública de ideias para criar um atlas de imagens de intervenções no território português.
"O foco não será em objetos nem projetos específicos de arquitetura, mas no processo de pensamento da disciplina. Nós queremos evitar a armadilha da autoria", disse Pedro Bandeira, um dos curadores, acrescentando que, no entanto, serão mostrados mais de 50 projetos da arquitetura portuguesa "de nomes conhecidos e desconhecidos".
"Paraíso. Hoje" irá a Veneza mostrar "uma metáfora que procura pensar as relações entre a arquitetura e a construção da paisagem".
Os curadores indicaram que depois de ser apresentado em Veneza, o projeto deverá também ser exibido em Portugal, em Lisboa, na Garagem Sul do CCB, e em Matosinhos, na Casa da Arquitetura.
"Não somos ingénuos, vemos o que está a acontecer na dimensão social e ambiental, mas somos otimistas sobre o que podemos fazer e atuar sobre esses problemas", sustentou a arquiteta Paula Melâneo sobre a reflexão que os curadores desenvolveram e que será materializada no Fondaco Marcello, edifício histórico localizado junto ao Grande Canal, em Veneza.
Na edição anterior, em 2023, Portugal foi representado na Bienal de Arquitetura de Veneza pelo projeto "Fertile Futures", com curadoria de Andreia Garcia, da Architectural Affairs, sob o tema "O Laboratório do Futuro", tendo ultrapassado os 34 mil visitantes.
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