De acordo com os dados, essas exportações totalizaram até setembro 130 milhões de dólares (124 milhões de euros), valor que compara com 90,2 milhões de dólares (86 milhões de euros) no mesmo período de 2023.
"Este resultado foi influenciado pela retoma à normalidade do processo de produção e escoamento dessas culturas, após os efeitos das condições climatéricas desfavoráveis que assolaram o país em 2023", aponta o documento do Banco de Moçambique.
Já a banana, outro dos produtos tradicionais das exportações moçambicanas, rendeu 29,4 milhões de dólares (28 milhões de euros) em nove meses, contra 22,4 milhões de dólares (21,4 milhões de euros), comprada essencialmente pelos países vizinhos, nomeadamente a África do Sul.
O anterior ministro da Agricultura moçambicano, Celso Correia, afirmou em 11 de novembro -- o novo Governo tomou posse em janeiro - que as perspetivas para a campanha agrícola são boas, com chuva e 5% de crescimento, mas sublinhou que a "paz social", no atual contexto de manifestações pós-eleitorais, é essencial.
"É muito importante termos paz social, porque a paz social permite-nos produzir, permite que cada família que tem a sua atividade possa desenvolver e ter o seu rendimento não afetado. Então, entre todas as condições, para além daquelas do clima, financiamento, condições de trabalho, a paz social é essencial para que a gente possa ter uma campanha tranquila no próximo ano [2025]", afirmou.
Correia perspetivou que a campanha agrícola 2024/2025 terá um crescimento na produção de 5%, fruto das chuvas esperadas, assinalando que a zona sul do país já tem registado chuvas -- a época chuvosa em Moçambique decorre de outubro a abril -, enquanto no centro e norte o tempo de lançamento da sementeira será "um pouco mais tarde".
"O calendário agrícola tem sido afetado por estas alterações climáticas, mas a expectativa é que na próxima campanha nós possamos ter um bom clima, isto vai ter um impacto positivo na produção", disse.
Com o mercado de consumo no sul ainda dependente das importações agrícolas da vizinha África do Sul, Celso Correia admitiu a necessidade de melhorar a competitividade moçambicana no setor.
"Para podermos competir, [é preciso] controlar um pouco melhor as fronteiras, porque temos também muito contrabando, que às vezes entra e torna a competição injusta, e (...) nós temos que ajudar os produtores a melhorarem a qualidade. O mercado também determina este exercício, mas é um trabalho gradual", explicou.
O ministro apontou o caso do tomate: "Nós ainda não temos tecnologia suficiente para permitir a produção em estufa fora de época e os sul-africanos têm. Então, quando o clima muda em Moçambique, o abastecimento local desaparece, deixamos à mercê do abastecimento externo".
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