Cazaquistão. UE e EUA pedem moderação às autoridades e manifestantes

União Europeia e Estados Unidos pediram hoje "responsabilidade e moderação" às partes envolvidas nos protestos em curso no Cazaquistão devido ao um aumento do preço do gás, que degeneraram em distúrbios e resultaram na queda do Governo.

Notícia

© Reuters

Lusa
05/01/2022 22:34 ‧ 05/01/2022 por Lusa

Mundo

Cazaquistão

"Pedimos a todas as partes envolvidas que atuem com responsabilidade e moderação e se abstenham de tomarem ações que possam levar a uma nova escalada de violência", referiu o Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) em comunicado.

O serviço diplomático da União Europeia (UE) espera que os protestos "permaneçam não violentos" e exortou as autoridades cazaques a "respeitarem o direito fundamental ao protesto pacífico".

"O Cazaquistão é um parceiro importante para a UE e contamos com ele para respeitar os seus compromissos, incluindo a liberdade de imprensa e o acesso à informação online e offline", sustentou.

Também o Governo dos Estados Unidos apelou hoje às autoridades do Cazaquistão para se "moderarem" e disse esperar que os protestos ocorram "de forma pacífica".

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, criticou ainda as "alegações absurdas" da Rússia sobre uma suposta responsabilidade dos Estados Unidos nos distúrbios no Cazaquistão, garantindo que é "absolutamente falso".

A Rússia apelou hoje ao "diálogo" no Cazaquistão, uma ex-república soviética na Ásia central onde desde domingo ocorrem protestos sem precedentes devido ao aumento dos preços do gás.

"Estamos a acompanhar atentamente os eventos no país vizinho e irmão (...) somos a favor de uma solução pacífica para todos os problemas dentro do quadro legal e constitucional e por meio do diálogo (...) não de tumultos nas ruas e violação das leis", indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo em comunicado.

As Nações Unidas revelaram também que estão também a monitorizar a situação no Cazaquistão "com preocupação".

"É muito importante que todos os envolvidos nestes eventos tenham contenção, evitem a violência e promovam o diálogo para responder a todas as questões pertinentes", realçou o porta-voz do organismo, Stéphane Dujarric.

A ONU, liderada pelo diplomata português António Guterres, garantiu ainda que os seus funcionários destacados no país estão seguros, operacionais e em contacto com as autoridades.

O Cazaquistão é desde 02 de janeiro palco de protestos em várias cidades, que foram ganhando intensidade até se transformarem em violentos distúrbios que culminaram hoje na ocupação de vários edifícios governamentais e do aeroporto da cidade de Almaty e em mais de 500 feridos.

A contestação popular foi desencadeada pelo aumento dos preços do gás liquefeito, um dos combustíveis mais utilizados nos transportes do país, de 60 tengues por litro (0,12 euros) para o dobro, 120 tengues (0,24 euros).

Pelo menos oito membros da polícia e do exército foram mortos nos motins que abalam o Cazaquistão há vários dias, indicou o Ministério do Interior, citado pela imprensa local.

Segundo a mesma fonte, 317 membros da polícia e da Guarda Nacional foram feridos "pela multidão em fúria".

O chefe de Estado decretou hoje o estado de emergência em todo o território do país, depois de anteriormente o ter decretado apenas nas principais cidades onde decorrem os tumultos -- a atual capital, Nursultan, e a antiga, Almaty - e alertou de que tomará medidas severas contra os manifestantes violentos, após assumir a presidência do Conselho de Segurança do país.

Kasim-Yomart Tokáyev aceitou hoje a renúncia do Governo cazaque na sequência da gigante onda de protestos nos últimos dias.

Leia Também: Cazaquistão pede ajuda de Moscovo e seus aliados contra "terroristas"

Partilhe a notícia

Produto do ano 2024

Descarregue a nossa App gratuita

Oitavo ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.

* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com
App androidApp iOS

Recomendados para si

Leia também

Últimas notícias


Newsletter

Receba os principais destaques todos os dias no seu email.

Mais lidas