"Estas ações violentas contra ativos públicos e privados impactou negativamente na taxa de crescimento económico, tendo-se situado em 1,9% em 2024, contra os 5,5% que haviam sido programados para este ano de 2024, e 5,4% observado no período homólogo de 2023", avançou a ministra, ao intervir, em Maputo, no evento de anúncio das medidas para recuperação económica para o setor empresarial moçambicano, no contexto da agitação social que se seguiu às eleições gerais de outubro.
A ministra das Finanças acrescentou que esta tendência "foi igualmente agravada pelo impacto dos choques climáticos, com destaque para a tempestade tropical severa Filipo", que provocou "chuvas intensas, cheias e inundações em algumas cidades e vilas, sobretudo na zona sul".
"Bem como pelos efeitos do fenómeno El Niño, que afetaram o setor produtivo em algumas regiões do país", disse ainda.
A economia moçambicana caiu 4,87% só no quarto trimestre de 2024, em termos homólogos, período marcado pela contestação pós-eleitoral no país, segundo dados do Governo noticiados esta semana pela Lusa.
"O Produto Interno Bruto a preços de mercado (PIBpm) apresentou uma variação negativa de 4,87% no quarto trimestre de 2024, quando comparado ao mesmo período do ano 2023", lê-se no relatório de execução orçamental relativo ao ano passado, do Ministério das Finanças.
No documento refere-se que o desempenho da atividade económica no quarto trimestre de 2024 "é atribuído, em primeiro lugar, ao setor secundário, com uma variação negativa de 8,87%, com maior destaque para o ramo da indústria manufatureira com variação de menos 11,14%", seguindo-se o ramo da eletricidade, gás e distribuição de água, que recuou 4,55%, enquanto a construção teve uma variação negativa de 4,09%.
Além dos impactos das alterações climáticas, com secas severas e ciclones a fustigarem o país, o documento admite igualmente "o impacto negativo das manifestações pós-eleitorais registados no último trimestre de 2024", as quais "afetaram as atividades económicas e sociais".
Moçambique vive desde as eleições gerais de 09 de outubro um clima de agitação social, agravada pelos anúncios dos resultados da votação, com manifestações, protestos nas ruas, barricadas, cortes de estrada, vandalização e destruição de equipamentos públicos e de empresas, saques e confrontos com a polícia que provocaram mais de 300 mortos.
O Governo moçambicano estimava que o PIB do país deveria crescer para 1,536 biliões de meticais (cerca de 23 mil milhões de euros) em 2024, o que corresponderia a um aumento, em termos percentuais, de 5,5%.
O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, admitiu no final de janeiro que o primeiro trimestre deste ano está "quase perdido" em termos de crescimento económico, igualmente devido à agitação social pós-eleitoral que prevalece, antevendo crescimento modesto para 2025.
"Na nossa previsão, o primeiro trimestre seria (...) quase perdido, digamos, no sentido de que tivemos uma situação muito difícil", apontou Zandamela, acrescentando que "na melhor das hipóteses" Moçambique deve registar um "crescimento zero ou provavelmente negativo" até março.
"A partir do segundo trimestre, a nossa expectativa é que a economia comece a crescer e, no ano como um todo, é nossa previsão (...) um crescimento modesto", reconheceu o governador do banco central, embora sublinhando que o desempenho está dependente da implementação de reformas estruturais no país.
O governador falava após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO) do Banco de Moçambique, que decidiu no final de janeiro nova descida da taxa de juro de política monetária MIMO, de 12,75%, em vigor desde final de novembro, para 12,25%, cortando igualmente nos coeficientes de reservas obrigatórias dos bancos, para impulsionar a economia.
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