Apesar de já não existirem nem a Checoslováquia nem a RDA, e de a República Checa ser agora uma democracia integrada na União Europeia (UE), o nome do alemão ainda consta da chamada lista ENO 41 anos depois.
O alemão, que estava de férias com a mulher e os filhos no norte da República Checa, foi detido na semana passada quando tomava o pequeno-almoço no hotel onde estavam hospedados por ter o nome na 'lista negra', segundo a imprensa checa.
O homem, originário da RDA, fugiu para o Ocidente em 1984, enquanto passava algum tempo num campo socialista na então Checoslováquia, outro membro do Bloco de Leste dominado pelos soviéticos, segundo a agência alemã DPA.
Mas um tribunal da cidade de Ceske Budejovice colocou o nome do fugitivo numa lista de pessoas indesejáveis após a fuga, há mais de 40 anos, e nada mudou desde então.
O alemão foi libertado com a condição de abandonar a República Checa no prazo de 48 horas.
A notícia chamou a atenção para a ENO e para o facto de o número exato de estrangeiros registados não ser público.
Embora existam poucos casos relacionados com a ditadura comunista da Checoslováquia, o Ministério do Interior checo recusa-se a fornecer qualquer informação, segundo a agência espanhola EFE.
Em 1990, a República Checa aprovou uma lei de reabilitação que prescreve os crimes políticos relacionados com a ditadura comunista.
Um dos problemas é que nem todos os estrangeiros inscritos na lista negra são automaticamente inseridos no Sistema de Informação Schengen, o que teria permitido detetar o anacronismo a tempo.
Em vez de retirar o nome do alemão da lista, a polícia checa apelou ao cidadão para que tomasse ativamente medidas legais para limpar o seu registo criminal na atual República Checa.
"Não conhecemos a razão e estamos a agir em conformidade com a lei", declarou uma porta-voz da polícia, citada pela EFE.
"Se existirem razões objetivas, o estrangeiro tem também o direito de requerer uma revisão judicial, na qual o tribunal pode decidir sobre a reconsideração e a retirada do registo ENO", acrescentou a fonte.
Durante a Guerra Fria, a RDA dificultou a saída dos cidadãos do país, tendo destacado uma notória polícia secreta interna e uma fronteira fortemente fortificada para impedir as fugas, de acordo com a DPA.
Dezenas de pessoas foram mortas ao tentarem fugir para a Alemanha Ocidental, quer através do Muro de Berlim, quer ao longo da fronteira que dividia a Alemanha Ocidental, alinhada com a NATO, da Alemanha Oriental, alinhada com a União Soviética.
Muitos alemães da RDA tentaram escapar, primeiro viajando para outros países do Bloco de Leste, especialmente a Checoslováquia e a Hungria, e depois tentando dirigir-se para ocidente.
A ditadura checoslovaca terminou em 1989 e o país deixou de existir em 1992, quando se dividiu na atual Eslováquia e na República Checa, ambas membros da UE e da NATO, a Organização do Tratado do Atlântico Norte.
A queda do Muro de Berlim em 1989, que antecedeu a dissolução da União Soviética dois anos depois, permitiu a reunificação da Alemanha.
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