China condena a três anos de prisão chefe de redação sediado em Taiwan

Um tribunal chinês condenou o chefe de redação de uma editora taiwanesa a três anos de prisão por "incitar ao separatismo", afirmou hoje um porta-voz do governo chinês.

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Lusa
26/03/2025 11:05 ‧ há 3 dias por Lusa

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O caso suscitou preocupações quanto aos riscos de publicar livros críticos do governo e do sistema chinês, mesmo fora da China continental.

 

Li Yanhe, cidadão chinês que vivia em Taiwan, foi detido há dois anos durante uma viagem à China. Na semana passada, a imprensa taiwanesa informou que tinha sido julgado e condenado por um tribunal de Xangai, mas não deu mais pormenores.

O editor foi multado em 50.000 yuan (6.400 euros) para além da sentença de três anos, disse Chen Binhua, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan da China, numa conferência de imprensa quinzenal sobre questões relacionadas com o território.

Li declarou-se culpado e não interpôs recurso, acrescentou.

Taiwan e a China separaram-se em 1949, durante a guerra civil que levou o Partido Comunista ao poder em Pequim. O Governo chinês reivindica Taiwan como território seu e afirma que a ilha deverá ficar sob o seu controlo num futuro próximo. Opõe-se ao que considera serem atividades separatistas na ilha, que é autónoma mas não declarou a sua independência formal.

As autoridades chinesas não disseram o que Li fez para ser acusado de incitar ao separatismo. A editora Gusa, onde ele trabalhava, publicou livros sobre temas que são normalmente censurados na China. O portal da empresa inclui livros sobre casos de corrupção e o regime autoritário da China e sobre a sangrenta repressão contra os protestos pró-democracia que se concentraram na Praça Tiananmen, em Pequim, em 1989.

Na semana passada, as autoridades de Taiwan afirmaram que a detenção de Li visa "reprimir as indústrias editorial, académica e cultural de Taiwan e tentar criar um efeito inibidor", de acordo com a Agência Central de Notícias, propriedade do governo de Taiwan.

Num comunicado publicado no Facebook, a editora Gusa afirmou que todos os colegas de Li estavam "zangados e perturbados" e não compreendiam por que razão Li, que descreveu como "apenas um editor", seria acusado de incitar ao separatismo.

Os profissionais do setor editorial de língua chinesa mostraram-se preocupados com as consequências do caso. Yu Miao, proprietário de uma livraria chinesa em Washington, D.C., disse que o caso teria um impacto negativo na decisão de quais os livros a publicar no futuro.

"Mostra que não é seguro publicar livros sobre a China em Taiwan ou em qualquer outro lugar", disse Yu, que abriu a livraria de Washington depois de a sua livraria anterior em Xangai ter sido forçada a fechar em 2018.

Em 2015, cinco livreiros sediados em Hong Kong foram detidos pelas autoridades chinesas, incluindo um cidadão sueco e outro britânico. O seu caso indicou que a China estava disposta a impor uma linha dura na repressão da dissidência política, que se estendia para além das fronteiras da China continental.

Leia Também: Serviços secretos norte-americanos apontam China como principal ameaça

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