Juiz ordena que administração Trump preserve mensagens trocadas no Signal

Um juiz federal norte-americano afirmou hoje que vai ordenar à administração Trump que preserve registos de mensagens trocadas entre altos responsáveis na plataforma Signal, incluindo sobre planos confidenciais para um ataque militar contra os Huthis do Iémen.

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Lusa
27/03/2025 21:26 ‧ há 3 dias por Lusa

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EUA

O juiz James Boasberg revelou hoje numa audiência que vai emitir uma ordem de restrição temporária que impede os funcionários do governo de destruir as mensagens trocadas através da aplicação Signal, num grupo a que inadvertidamente foi adicionado um jornalista da revista The Atlantic, que relatou o caso.

 

A ordem judicial foi solicitada por uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos, a American Oversight.

Um advogado da administração citado pela AP afirmou que o governo já está a tomar medidas para recolher e guardar as mensagens.

A Casa Branca respondeu inicialmente ao artigo da revista minimizando o incidente e atacando a credibilidade do seu diretor Jeffrey Goldberg, que relatou ter sido adicionado ao grupo por Mike Waltz, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca.

Após a administração de Donald Trump ter insistido que nada na troca de mensagens no Signal era confidencial, a The Atlantic publicou na quarta-feira um novo artigo contendo quase toda a conversa, incluindo partes que num primeiro artigo não tinha publicado por razões de segurança.

O novo artigo reproduz capturas de ecrã de mensagens do secretário de Defesa Peter Hegseth com as horas precisas dos ataques planeados contra os Huthis, grupo rebelde iemenita aliado do Irão, e as armas utilizadas, todas enviadas duas horas antes dos ataques terem lugar.

A revista conta que contactou os responsáveis governamentais, afirmando que as mensagens não eram ultrassecretas, para lhes perguntar se concordavam com a publicação de mais mensagens, mais precisas do que as referidas no primeiro artigo.

A Casa Branca opôs-se, indicou The Atlantic, que, no entanto, publicou o essencial das trocas de mensagens, ocultando apenas o nome de um agente da CIA.

"12:15- DESCOLAGEM dos F-18 (primeiro grupo de ataque)", escreveu a 15 de março o chefe do Pentágono aos outros membros do grupo, onde estavam também responsáveis do Pentágono e da CIA (agência norte-americana de serviços secretos externos).

O grupo incluía também o vice-Presidente JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, entre outros altos responsáveis.

O líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, afirmou na quarta-feira que o secretário da Defesa "tem de ser despedido imediatamente se não tiver a coragem de reconhecer o seu erro e demitir-se".

A também democrata Tammy Duckworth, membro do Comité das Forças Armadas do Senado, defendeu que "claramente foi partilhada informação confidencial" e que Hegseth "divulgou-a de forma negligente".

O presidente Donald Trump defendeu o seu secretário da Defesa destes pedidos de demissão, qualificando de "caça às bruxas" o caso divulgado pela revista The Atlantic.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, "está a fazer um excelente trabalho, não tem nada a ver com isto", disse Trump na quarta-feira.

Na sua decisão de hoje, Boasberg limitou a ordem às mensagens enviadas entre 11 e 15 de março no grupo.

O juiz deu ainda instruções ao governo para lhe fornecer um ponto de situação na segunda-feira.

A advogada do Departamento de Justiça, Amber Richer, afirmou que ainda está a ser "verificado que registos as agências têm" da referida troca de mensagens.

"Estou feliz por termos conseguido encontrar uma solução", disse o juiz mais tarde.

Os advogados da American Oversight afirmam no processo judicial que a "utilização pelos réus de uma aplicação comercial não classificada, mesmo para questões de vida ou morte, como o planeamento de uma operação militar, leva à inferência inevitável de que os réus devem ter utilizado o Signal para conduzir outros assuntos oficiais do governo".

[Notícia atualizada às 21h49]

Leia Também: Signal. Trump defende secretário da Defesa de "caça às bruxas"

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