O presidente da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR), César Nogueira, falou, esta quinta-feira, à saída da reunião com a ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, que no início das negociações, hoje, apresentou uma proposta abaixo do que os militares reivindicam.
"Para primeira proposta, mesmo assim, é muito mau - pelo menos, mediante as expetativas que os profissionais tinham", considerou, explicando aos jornalistas que seria agora apresentada uma contraproposta.
Salientando que guardas, oficiais e sargentos são 'divididos' em categorias, o responsável afirmou: "Só por aí já é um erro. O risco é igual para todos. Não pode ser dividido por categorias. É mediante as funções que se exercem, se são de risco ou não".
César Nogueira explicou que "todas as associações mostraram o seu desagrado" e que mesmo a questão acima mencionada da 'divisão' foi tema em cima da mesa na reunião, que decorreu em Lisboa.
O responsável sindical reforçou que a contraproposta iria insistir na igualdade de valores em relação ao que foi acordado com a Polícia Judiciária.
À reunião com as associações sindicais da GNR segue-se um encontro com os sindicatos da Polícia de Segurança Pública. À chegada, por volta das 17 horas, estas estruturas sindicais garantiram que a proposta teria que corresponder às expetativas, nomeadamente, com valores iguais aos da Polícia Judiciária.
"Não estamos num regime de castas", dizem polícias
Três horas depois, e antes de entrar para a reunião, o representante do Sindicato Nacional da Polícia (SINAPOL), Armando Ferreira, foi confrontando com estes valores agora conhecidos - e questionado sobre os mesmos. "A confirmarem-se esses valores, para nós é inconcebível haver discriminação hierárquica na atribuição do suplemento de missão ou risco aos profissionais da Polícia de Segurança Pública", garantiu.
"Todos os polícias deviam ganhar o mesmo. Não estamos num regime de castas para haver diferenciação. A profissão policial é uma. Os polícias já ganham diferenciação salarial mediante os postos que têm. Não têm que ter um risco diferente mediante o posto que têm", afirmou, acrescentando ainda que a situação fica "muito aquém" daquilo que foi transmitido durante a campanha eleitoral.
O que propõe o MAI à GNR?
Segundo a proposta inicial do Governo os oficiais passariam a ter um subsídio de 12% da remuneração base do comandante-geral da GNR, que é de 5.216,23 euros, enquanto a percentagem para os sargentos é de 9% e para os guardas de 7%.
Com esta proposta, os oficiais da GNR tinham um aumento de 625,94 euros, os sargentos 469,46 euros e os guardas 365,13 euros.
A ministra da Administração Interna está a apresentar hoje aos sindicatos da PSP e associações socioprofissionais da GNR a proposta de atribuição de um subsídio aos elementos das forças de segurança.
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