Desde o final de janeiro que os assinantes da Disney+ têm tido a oportunidade de seguir os desenvolvimentos de ‘Paradise’, uma nova série exclusiva do serviço de streaming que tem disponibilizado - pouco a pouco - novos episódios daquela que é uma das tramas mais cativantes deste começo de 2025.
‘Paradise’ conta a história de Xavier Collins, um agente secreto ao serviço do presidente dos EUA que, nos momentos iniciais do primeiro episódio, se depara com a misteriosa morte da pessoa que era suposto proteger. Este é o ponto de um enredo que, ao longo dos episódios que têm sido disponibilizados, só se adensa e tem envolvido cada vez mais espectadores.
O último episódio de 'Paradise' tem estreia marcada para a próxima semana, no dia 4 de março, e os fãs ficarão satisfeitos por saberem que a série já tem segunda temporada oficialmente confirmada.
Falar sobre ‘Paradise’ sem estragar as muitas surpresas não é fácil mas, ainda assim, o Notícias ao Minuto esteve à conversa com o ator que interpreta o protagonista - Sterling K. Brown - de forma a percebermos não só como foi encarado este novo desafio, como também voltar a trabalhar com Dan Fogelman. Lembrar que os dois já trabalharam em conjunto em ‘This Is Us’, série que está (também ela) disponível na íntegra na Disney+.
Temos apenas um aviso. Na entrevista que pode encontrar abaixo são discutidos alguns pontos essenciais de ‘Paradise’ e, entre eles, algumas das surpresas que começam logo no primeiro episódio.
Com o aviso feito, pode ler abaixo a nossa entrevista com Sterling K. Brown.
© Disney
É um pouco difícil falar do começo de ‘Paradise’, porque ninguém quer estragar o final do primeiro episódio…
Sem dúvida…
É muito fácil terminar o episódio e ficar interessado em ver mais. Como foi a sua reação ao ler o guião quando o projeto lhe foi apresentado?
Trabalhei com o Dan Fogelman durante seis anos em ‘This is Us’, ele pediu-me para ler o guião deste projeto e eu disse, ‘Tudo bem, vou dar uma oportunidade e ver do que se trata’. Estou a ler e vi que o presidente morria no início, estou a ver as relações das personagens, que a minha personagem tem um filho e uma filha, que está a tentar perceber o que se passa e que há pessoas em que claramente não confia.
Depois de ser interrogado, percebo que levei uma coisa do quarto e depois vejo as mesmas coisas que vi no começo - como os patos e as crianças a brincar e a comer gelados - e vejo algumas coisas não eram reais, que as crianças têm umas pulseiras e percebemos que há alguma coisa estranha com o pôr-do-sol… E percebemos que tudo isto está a ter lugar dentro de uma montanha. O quê? O que se passa com o mundo?
O que pensas que é o verdadeiro mistério é apenas a ponta do icebergue. Passas a perguntar-te como é que todas aquelas pessoas foram lá parar e porque é que lá estão. Fiquei muito surpreendido. Foi um sentimento semelhante quando vi o episódio piloto de ‘This Is Us’, em que percebi que a série tinha lugar em dois períodos diferentes.
Mesmo que [‘Paradise’] não tivesse esses elementos, ficaria satisfeito em ver a série mas [o Dan Fogelman] meteu-os lá e é muito surpreendente. É uma montanha-russa e só fica mais louco.
Após o primeiro episódio continuam a surgir personagens super interessantes. Uma delas é a Sinatra, cuja ‘backstory’ coloca até em questão o nome da série e a ligação com esta cidade artificial. Olhando para essa personagem - e para a trágica morte do filho - a cidade parece que foi feita a pensar nele e torna-se quase o ‘paraíso’ desse filho. Mesmo para o Xavier Collins, é uma cidade que parece quase um purgatório porque é um lugar onde ele se encontra à espera da esposa mas que ele sabe que nunca chegará. É um conceito que se torna um pouco mais complexo ao longo da série. Qual é a sua visão do que esta cidade representa? É um paraíso, um purgatório ou um inferno?
Penso que sim. Penso que tentam fazer da experiência tão confortável quanto possível e dar às pessoas a maior sensação de normalidade possível. Mas, no final, independentemente do quão normal tentam fazer parecer, algo se passou com o mundo que havia antes e foi algo que mudou completamente a trajetória da vida destas pessoas. Por isso querem dar-lhes algo confortável, familiar, idílico mas, no final, estão numa montanha, o que significa que basicamente estão numa prisão.
Independentemente do quanto queiras criar um paraíso, em algum momento as coisas começam a desfazer-se e penso que é isso que assistimos ao longo da série.
Penso que se fizéssemos ‘This Is Us’ novamente não seria tão cativante, porque já o fizemos e fizemos muito bem
Mencionou o Dan Fogelman e, olhando para os seus anteriores trabalhos, é interessante constatar a diversidade das séries e filmes onde esteve envolvido. Além de ‘This Is Us’ também temos ‘Homicídios ao Domicílio’, ‘Amor, Estúpido e Louco’ e até ‘Galavant’. Sendo alguém que já trabalhou com ele anteriormente, sente que neste momento consegue entender o que lhe vai na cabeça para criar coisas tão diferentes?
O que aprendi sobre o Dan Fogelman é que ele consegue escrever qualquer coisa. A imaginação dele não tem limites e ele gosta de brincar em muitos géneros diferentes. Ele, enquanto argumentista, é muito semelhante a mim enquanto ator. As pessoas tentam colocar-te em caixas porque pensam que só és bom naquilo e tu tentas expandir essa caixa tanto quanto possível para lhes mostrar que - independentemente da ‘caixa de areia’ onde nos coloquem, independentemente do que quiserem que ele escreva ou que eu represente - podemos acrescentar algo de valor a essa ‘arena’.
É isso que mais gosto no Dan [Fogelman]. Somos semelhantes na forma como estamos constantemente a tentar mostrar aos outros a extensão da nossa ‘caixa de ferramentas’. Quando ele me pediu para fazer isto, fez questão de me dizer que era um papel completamente diferente do de Randall Pearson [de ‘This Is Us’] e que não me pediria para o fazer novamente.
E constatei que ele falou a sério, que não estava a tentar reinventar a roda novamente e que íamos fazer algo diferente. Algo que as pessoas ainda não viram dele e de mim.
© Disney
Foi assim que foi convencido a trabalhar com ele novamente depois de ‘This Is Us’?
Diria que sim. Penso que se fizéssemos ‘This Is Us’ novamente não seria tão cativante, porque já o fizemos e fizemos muito bem. Nesse ponto só pensamos, ‘O que se segue? O que Deus quer que eu faça a seguir?. A variedade é a especiaria da vida. Há muitas pessoas a viver dentro de mim e estou a tentar deixá-las sair a todas, uma de cada vez. O Xavier [Collins, de ‘Paradise’] é o que teve a possibilidade de sair e ‘brincar’ um pouco.
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