No final da gala Michelin, que decorreu na noite desta terça-feira, na Alfândega do Porto, as contas dos restaurantes estrelados em Portugal não estavam a fazer muito sentido. Não tinha sido divulgado que algum tinha perdido a estrela, mas pelas contas era isso isso mesmo que tinha acontecido. Minutos depois, e com a aplicação da Michelin atualizada, soube-se que o 100 Maneiras, do chef Ljubomir Stanisic, tinha ficado sem a distinção.
O Lifestyle ao Minuto esteve na gala e não encontrou o chef pela Alfândega do Porto. Já esta quarta-feira, o chef respondeu a algumas questões que lhe foram endereçadas. Começou por dizer que perder a estrela não era algo que estava à espera, mas que a cabeça e o trabalho estão direcionados para outro sentido.
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"O nosso objectivo não são os prémios, eles são apenas um reconhecimento do trabalho que é feito todos os dias. E este ano, como nos outros anos, foi feito muito trabalho, muito investimento da parte de todos os que fazem parte do 100 Maneiras."
Revela que a crise que a restauração está a passar é algo que o preocupa. "Foi, e está a ser, um ano particularmente difícil para a restauração em Portugal. Por isso, foi uma surpresa e uma notícia menos boa no meio de outras bem piores, como o fecho de muitos restaurantes, sobretudo os de gestão independente, sem grupos económicos por trás."
Quanto a possíveis razões para ter ficado sem a estrela que tinha ganho em 2020, o chef remete explicações para quem de direito. "Terá de perguntar ao Guia." Ainda assim, acredita que pode retirar alguma lição desta notícia menos positiva.
"Da nossa parte, vamos aproveitar mais este 'desafio' para perceber se algo dentro daquilo que podemos controlar correu mal e se sim, o que correu mal e como podemos melhorar."
O regresso ao guia e a recuperação da estrela é algo que não pensa neste momento. "O foco nunca está nos prémios. Vamos continuar a trabalhar como sempre, como antes, muitas vezes contra tudo e contra todos, para sermos cada vez melhores. Se os prémios vierem, melhor. Mas devemos o nosso esforço aos nossos clientes, à equipa, a nós mesmos."
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O que espera mesmo que aconteça em breve é uma melhoria da crise da restauração. "Estamos a passar uma fase muito complicada, muitos restaurantes a fechar. E para os restaurantes independentes, como é o caso do 100 Maneiras, que não tem nenhum grande grupo económico por trás, é uma questão ainda mais urgente."
Confessou que não acompanhou "com atenção" a gala Michelin deste ano, mas soube da distinção dada a duas mulheres, à chef Marlene Vieira e Rita Magro.
"Ver duas mulheres distinguidas com a estrela parece-me um bom sinal, mas continua a ser claramente insuficiente. Espero que possamos ver cada vez mais mulheres a ocupar posições de topo em restaurantes. Isso sim, faz falta. Fazem falta mais mulheres a trabalhar na restauração deste nível, primeiro."
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