Já se começa a tornar um hábito o chef Vítor Matos subir mais do que uma vez ao palco da gala Michelin em Portugal. Na edição passada, tinha subido duas vezes para receber a segunda estrela para o Antiqvvm, no Porto, e a primeira para o 2Monkeys, em Lisboa. Na recente gala, que decorreu na noite de terça-feira, na Alfândega do Porto, foram três as vezes que foi chamado ao palco pela apresentadora Marta Leite de Castro.
Recebeu a renovação da segunda estrela para o Antiqvvm e mais duas distinções: uma estrela para o Blind, projeto onde partilha a chefia do Rita Magro, e outra para o Oculto, onde está com o chef Hugo Rocha. É, assim, o chef com mais estrelas Michelin em território nacional, cinco no total.
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Em conversa com o Lifestyle ao Minuto, revelou estar contente com as novas distinções, mas não deixa de agradecee o trabalho das suas equipas. "É sempre bom [receber estrelas Michelin]. Estou super feliz. Há também aqui muito trabalho das minhas equipas. Sou apenas a face do projeto, mas que por trás tem pessoas tão capazes e que mostram todos os dias que querem mais, que querem crescer."
Revelou que para conseguir que os projetos funcionem e para serem galardoados e reconhecidos é importante a escolha da melhor pessoa para os chefiar. "É preciso a pessoa certa à frente do projeto certo. Uma pessoa que não está no sítio certo não funciona."
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Apesar de tantas distinções, não se deixa deslumbrar com as conquistas feitas. “Há aqui uma coisa que me apercebi ao longo da minha vida: Demasiado ego faz-nos perder o equilíbrio. Acima de tudo, temos de ser equilibrados connosco próprios, com as nossas equipas. E isso é muito importante, é o caminho certo para projetos vencedores.”
Nesta noite, na Alfândega do Porto, viu duas mulheres receberem estrela, uma delas consigo, Rita Magro, no Blind. "Nas minhas equipas, metade são mulheres que gerem. Acredito muito na mulher. A mulher tem toque mais de subtileza e de elegância. Tem mais delicadeza nos pratos."
Acredita que o guia poderia ter até dado esta distinção a mais projetos com mulheres aos comandos. "Se uma mulher cozinhar muito bem e tiver sabor, vai lá chegar. Pensei até que haveria mais mulheres [nesta noite]."
Revelou ainda que o guia deste ano pecou por não ter dado mais distinções. "A gala foi um bocadinho curta. É verdade. Não posso falar de mim, que correu bem, mas a nível de Portugal acho que foi um bocadinho curto, estávamos à espera de mais. Pelo menos mais segundas e uma terceira. É necessário e há restaurantes em Portugal, dois ou três, que merecem três estrelas.”
Percorra a galeria para rever os três momentos em que Vítor Matos subir ao palco desta gala do Guia Michelin.
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