Professores moçambicanos alertam para "perdas irreparáveis"
O Sindicato Nacional dos Professores de Moçambique (SNP) alertou hoje para "perdas de aprendizagem irreparáveis" em muitos alunos devido à covid-19, assinalando que as assimetrias regionais e sociais associadas à pandemia vão provocar atraso e abandono escolar.
© Lusa
Mundo Covid-19
"Há muitas raparigas das zonas rurais que não vão voltar às aulas, que abandonaram os estudos para dar prioridade ao casamento ou às lides de casa", disse o secretário-geral do SNP, Teodoro Muidumbe.
O sindicalista afirmou que o recurso em força ao ensino digital, devido à redução do tempo de permanência na sala de aula, vai atrasar muitos alunos no acompanhamento da atividade letiva.
"Os alunos irão, em média, duas vezes por semana à escola, na expectativa de que o tempo reduzido seja compensado através de aulas à distância, mas na nossa realidade isso não será fácil", explicou.
"A maioria dos alunos moçambicanos da 1.ª à 12.ª classe não tem telemóvel, muito menos computador, pelo que será impossível estudarem à distância", acrescentou.
A divisão de turmas por 25 alunos cada, para permitir o distanciamento de 1,5 metros entre si, embora "muito necessária", vai reduzir o tempo letivo e de absorção dos conteúdos.
O secretário-geral do SNP apelou à mobilização de toda a sociedade para assegurar que os alunos mais carenciados não percam irremediavelmente o direito à educação.
"Todos temos a responsabilidade de garantir que todas as crianças estudem, não é uma tarefa do Governo, apenas", defendeu.
Mais de oito milhões de alunos do primeiro ao 12.º ano iniciaram esta segunda-feira as aulas, num contexto atípico marcado por divisão de turmas, aulas em grupos alternados e aos sábados, devido a covid-19.
Daquele número de alunos, cerca dois milhões são da primeira classe e vão à escola pela primeira vez.
A porta-voz do Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano (Minedh), Gina Guibunda, disse à Lusa que o número de alunos numa sala não deve ultrapassar 25, para permitir um distanciamento de 1,5 metros, o que vai implicar a divisão de turmas, tendo em conta a sobrelotação que normalmente caracteriza as salas de aula no país.
O número de alunos nas salas das escolas moçambicanas chega a atingir 75, uma cifra que torna impossível o necessário distanciamento físico em contexto de covid-19.
Gina Guibunda avançou que os alunos poderão ter aulas aos sábados, nas circunstâncias em que o desdobramento de turmas impedir o cumprimento de metas semanais do plano letivo.
Moçambique tem cumulativamente 753 óbitos devido à covid-19 e 66.762 casos, 81% dos quais considerados recuperados da doença.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.756.395 mortos no mundo, resultantes de mais de 125,4 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
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