Ao discursar na cerimónia de transferência de poderes de Portugal para França para garantir a terceira edição da Conferência da ONU sobre o Oceano (a segunda ocorreu em Lisboa em 2022), que decorrerá entre 09 e 13 de junho deste ano em Nice (sul de França), Emmanuel Macron lembrou que os valores do multilateralismo estão a ser postos de lado, pelo que o contexto geopolítico precisa de um trabalho conjunto.
"Vemos bem como o mundo se fragmenta. Vemos bem os nossos valores, que se baseiam num universalismo, numa cooperação em que o multilateralismo se desloca. Conseguir cooperar e agir juntos, para o que é um bem comum do planeta, e então da humanidade. Isso tem de ser preservado", sublinhou Macron, na presença do primeiro-ministro português, Luís Montenegro.
A cerimónia de transferência de poderes esteve inicialmente prevista para o Parque das Nações, ao ar livre no veleiro Santa Maria Manuela, acostado no Cais do Adamastor, mas, devido ao mau tempo, acabou por ser mudada para o Centro Cultural de Belém.
No domínio dos oceanos, e salientando que Portugal e a França "são duas grandes nações marítimas", Macron lembrou que o destino marítimo já não tem a versão "predatória" e que, agora, "consiste em tentar conquistar uma cooperação internacional, sobretudo económica, e um melhor conhecimento científico", afirmou, destacando, sem nomear, outras prioridades de outros países.
"Estamos a falar de um continente verdadeiramente escondido, de tesouros que devemos descobrir. E, no fundo, quando outros vão para Marte, nós decidimos abraçar Neptuno. Esse é o nome da missão escolhida, e nós iremos anunciar isso em Nice", frisou Macron, lembrando que apenas se conhece 5% do fundo dos oceanos e que os restantes 95% são ainda desconhecidos e não cartografados.
"Existem recursos inestimáveis, principalmente genéticos, que poderiam fazer avançar a ciência, a saúde humana, de maneira decisiva. E é por isso que, ao lado da União, vamos trabalhar, para este Pacto Europeu, para o oceano, que aprovaremos antes do verão, e que deve marcar o lançamento de novas estratégias de exploração dos nossos oceanos", acrescentou.
Dessa forma, prosseguiu, poderão avançar, paralelamente, "muitas outras iniciativas para combater o plástico" e "erradicar em várias zonas as más práticas de pesca, para forçar e promover outras iniciativas de pesquisa".
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