Autarca de Istambul detido apela à justiça para resistir ao regime de Erdogan

O presidente da câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, que se encontra sob custódia policial desde quarta-feira, apelou hoje à justiça turca para reagir e "não permanecer em silêncio", numa mensagem divulgada pelos seus advogados.

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© Kerem Uzel/Bloomberg via Getty Images

Lusa
20/03/2025 13:49 ‧ há 2 dias por Lusa

Mundo

Turquia

"Devem erguer-se e agir contra o punhado de colegas que devastaram o sistema judicial turco, nos desonraram perante o mundo inteiro e esmagaram a nossa reputação", disse Imamoglu nas redes sociais.

 

Imamoglu referia-se aos juízes que a oposição política acredita estarem a agir sob as ordens do Presidente Recep Tayyip Erdogan, segundo a agência espanhola EFE.

"Não podem nem devem permanecer em silêncio", desafiou o autarca social-democrata, também citado pela agência francesa AFP.

Imamoglu, 53 anos, foi detido após uma rusga na sua residência, na madrugada de quarta-feira, no âmbito de uma investigação sobre alegada corrupção e ligações terroristas.

Foram igualmente detidas várias outras personalidades, incluindo dois presidentes de câmara distritais.

A Turquia ocupou em 2024 o 117.º lugar entre 142 países no Índice do Estado de Direito do projeto independente World Justice Project.

Imamoglu também acusou Erdogan de ter enriquecido ilegalmente durante a carreira política, que começou como presidente da câmara de Istambul (1994-1998), depois continuou como primeiro-ministro e, desde 2014, como Presidente da Turquia.

O autarca acusou Erdogan de usurpar o futuro dos seus filhos, a propósito da decisão de um juiz, a pedido do Ministério Público, de confiscar a empresa da família de Imamoglu.

Na terça-feira, na véspera da detenção, a Universidade de Istambul, uma instituição pública, anulou o diploma de bacharelato de Imamoglu, impedindo-o de facto de se candidatar à presidência.

A obtenção de um diploma de ensino superior é um requisito para ser chefe de Estado.

Os protestos contra a detenção do líder da oposição continuavam hoje a espalhar-se por toda a Turquia.

Segundo a imprensa, centenas de estudantes universitários marcharam hoje em Istambul, desafiando a proibição de protestos e manifestações na cidade durante quatro dias imposta pelo Governo.

O partido a que pertence Imamoglu, o Partido Republicano do Povo (CHP, na sigla em turco), realiza no domingo as primárias para escolher o candidato presidencial, que deveria ser o autarca de Istambul.

O CHP convocou uma manifestação em frente à Câmara Municipal para hoje, às 20:30 locais (17:30 em Lisboa).

A sessão plenária do Parlamento foi suspensa hoje devido aos protestos dos deputados do CHP.

O Conselho Audiovisual turco multou várias estações de televisão críticas do Governo por terem noticiado a detenção de Imamoglu, segundo a EFE.

O Ministério do Interior anunciou a detenção de 37 pessoas por partilharem nas redes sociais conteúdos considerados provocatórios.

A detenção de Imamoglu também causou uma onda de choque no mercado financeiro, provocando paragens temporárias nas negociações de quarta-feira para evitar vendas de pânico.

Os críticos veem a repressão como um esforço de Erdogan para prolongar o seu Governo de mais de duas décadas, na sequência de perdas significativas do partido no poder nas eleições locais de 2004.

O Governo rejeitou as alegações de que as ações judiciais contra figuras da oposição tenham motivações políticas e insistiu que os tribunais funcionam de forma independente.

O porta-voz do Partido da Justiça e do Desenvolvimento, no poder, Omer Celik, contestou as alegações da oposição e apelou ao respeito pelo processo judicial.

"O que um político deve fazer é seguir o processo judicial", disse Celik aos jornalistas, segundo a agência norte-americana AP.

Leia Também: Governo turco rejeita críticas à detenção de rival político de Erdogan

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