UE "acordou" tarde para avisos de Obama e Biden sobre assumir Defesa

O ex-chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, defendeu hoje que os países europeus "acordaram" tarde para avisos dos ex-presidentes norte-americanos Barack Obama e Joe Biden sobre deixarem de depender de Washington na sua Defesa.

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Lusa
24/03/2025 21:47 ‧ há 4 dias por Lusa

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Borrell

Na cerimónia em que recebeu I Prémio Compromisso com a Ibero-América, atribuído pela Secretaria-Geral Ibero-Americana (SEGIB), Borrell considerou que, além da União Europeia (UE) investir menos em Defesa do que os Estados Unidos, alguns dos seus 27 exércitos "são meramente decorativos, para desfiles", sem capacidade para conduzir "uma guerra séria", por falta de capacidades de comando e controlo ou logística.

 

Barack Obama e Joe Biden "enviaram-nos uma mensagem clara de que nós, europeus, tínhamos de fazer mais pela nossa defesa", disse o ex-alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança (2019-2024).

"Mas a verdade é que não lhes prestámos atenção", admitiu o também antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha.

"Depois, quando começou a guerra na Ucrânia, acordámos. Mas uma coisa é acordar e outra coisa é levantar-se", adiantou o político de 77 anos.

A Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de fevereiro de 2022, com o argumento de proteger as minorias separatistas pró-russas no leste e "desnazificar" o país vizinho, independente desde 1991 - após a desagregação da antiga União Soviética - e que tem vindo a afastar-se do espaço de influência de Moscovo e a aproximar-se da Europa e do Ocidente.

Segundo Borrell, a Europa passou os últimos três anos a ajudar Kyiv a resistir à invasão russa, mas não investiu suficientemente nas suas próprias capacidades de Defesa.

Por fim, foi preciso que Donald Trump chegasse à Casa Branca e dissesse "brutalmente, 'acabou, não contem connosco'" para que os europeus começassem a pensar que era preciso "recuperar tempo perdido", salientou.

"Vamos demorar muito a recuperar o tempo perdido e é bom que as pessoas saibam disso", pois "substituir os Estados Unidos, se eles saírem da frente europeia e nos deixarem em paz, não só vai custar muito dinheiro" como também "vai implicar uma mudança muito profunda de mentalidade", alertou.

"Nós, europeus, não só nos desarmámos, como renunciámos à guerra no nosso horizonte mental", porque "perdemos a mentalidade do guerreiro", disse Borrell.

Leia Também: Centristas europeus defendem apreensão de bens russos

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