"Precisamos da Gronelândia para a segurança internacional. Precisamos dela. Temos de o fazer", disse Trump numa entrevista de rádio transmitida hoje, dois dias antes da viagem do vice-Presidente J.D. Vance ao território autónomo dinamarquês.
"Esta é uma ilha de que precisamos do ponto de vista defensivo e ofensivo. Não gosto de colocar as coisas desta forma. Mas vamos ter de a obter", insistiu o Presidente norte-americano.
As declarações de Trump acontecem depois de os governos da Gronelândia e da Dinamarca terem criticado a chegada não solicitada de uma delegação norte-americana de alto nível a este território, incluindo a visita anunciada da mulher de J.D. Vance para uma corrida de trenós puxados por cães, o envio de uma força de segurança avançada com veículos blindados para Nuuk e a possível visita do conselheiro de Segurança Nacional, Mike Waltz.
A diplomacia dinamarquesa congratulou-se com a reversão da decisão dos EUA, quando soube que Vance apenas irá visitar uma base militar norte-americana e esclareceu que já não havia qualquer possibilidade de viajar para outro local no território autónomo dinamarquês.
"Acho muito positivo que os americanos estejam a cancelar a sua visita à companhia groenlandesa. Em vez disso, visitarão a sua própria base, Pituffik, e não temos nada contra isso", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen.
"Sou o ministro dos Negócios Estrangeiros, por isso tenho de falar diplomaticamente, mas, de muitas maneiras, esta é uma pirueta magistral para fazer parecer uma escalada quando, na realidade, é uma desescalada", disse Rasmussen.
O primeiro-ministro cessante da Gronelândia, Mute Egede, denunciou a situação de "ingerência estrangeira" e o Governo interino reiterou que não poderia haver convite ou reunião oficial devido à falta de um executivo em funções.
Desde as eleições legislativas de 11 de março que a Gronelândia está em plenas negociações com vista à formação de uma coligação governamental.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, criticou a "pressão inaceitável" sobre a Gronelândia e a Dinamarca e prometeu resistir às intenções de Trump.
De acordo com os novos planos, Vance visitará a base militar dos EUA, na sexta-feira, para ser informado sobre questões de segurança no Ártico e reunir-se com as tropas, informou o seu gabinete.
A base de Pituffik "é utilizada para deteção de lançamentos de mísseis, defesa de mísseis e missões de vigilância espacial", disse o vice-Presidente dos EUA.
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