Líder de região autónoma moldava pede intervenção de Putin por ter sido detida

A governadora da região moldava de Gagaúzia, em conflito com o Governo pró-europeu de Chisinau, pediu hoje a intervenção do Presidente russo, Vladimir Putin, depois de ter sido detida por alegado financiamento ilegal de campanha.

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© MAXIM SHEMETOV/POOL/AFP via Getty Images

Lusa
27/03/2025 11:19 ‧ há 3 dias por Lusa

Mundo

Gagaúzia

"Em nome do povo de Gagaúzia, pedimos-lhe, caro Vladimir Vladimirovich [Putin], que utilize todos os meios diplomáticos, políticos e legais à sua disposição para pressionar as autoridades moldavas a libertarem-me o mais rapidamente possível", escreveu Evgenia Hutsul nas redes sociais.

 

Hutsul, 38 anos, foi detida na terça-feira à noite no aeroporto de Chisinau, quando ia viajar para Istambul, na Turquia, de acordo com a agência francesa AFP.

É suspeita de "gestão fraudulenta de fundos eleitorais, financiamento ilegal e falsificação de documentos" durante a campanha de 2023 que levou à sua eleição como governadora da Gagaúzia, segundo a agência anticorrupção moldava.

Num outro caso, Hutsul é acusada de financiamento obscuro do partido, agora proibido, do oligarca Ilan Shor, que fugiu para Moscovo depois de ter sido condenado por fraude.

Hutsul considerou que as acusações, que qualificou como "absurdas e politicamente motivadas", fazem parte de uma "operação em grande escala destinada a destruir a autonomia dos gagaúzes".

Segundo Hutsul, as autoridades moldavas perseguem os apoiantes das relações fraternas com a Federação Russa e apresenta-os como uma ameaça ao Estado, noticiou também a agência russa TASS.

"Na realidade, isto é medo da verdade, medo do povo gagauz, que sabe com quem esteve em tempos difíceis e com quem quer reforçar os laços de amizade", afirmou, aludindo à Rússia, citada pela TASS.

Sancionada pela União Europeia (UE) por tentativas de desestabilização da Moldova, Hutsul desloca-se regularmente à Rússia para denunciar a atitude de Chisinau, que continua a recusar-se a reconhecer a sua investidura como governadora da região autónoma.

A Rússia condenou na quarta-feira a detenção de Hutsul, denunciando "manobras flagrantes" destinadas a neutralizar qualquer oposição à Presidente moldava pró-europeia, Maia Sandu.

A Rússia, "que persegue a oposição e elimina os políticos problemáticos, não está em condições de dar lições de democracia", respondeu o ministro dos Negócios Estrangeiros moldavo, Mihai Popsoi.

Território fragmentado no sul da Moldova, a Gagaúzia renunciou ao desejo de independência em 1994, em troca de um estatuto de autonomia.

Os seus 135.000 habitantes ortodoxos, que fugiram do Império Otomano para se instalarem na região no século XIX, falam gagauz, um idioma turco em vias de extinção, e sobretudo russo.

As autoridades moldavas acusaram a Rússia de interferir no processo eleitoral, alegações categoricamente rejeitadas por Moscovo.

Apesar de Maia Sandu ter sido reeleita em novembro, o país de cerca de 2,5 milhões de habitantes prepara-se para eleições legislativas no outono, que vão opor o campo pró-UE e os partidos pró-russos.

A Moldova, uma antiga república soviética, tem o estatuto de país candidato à União Europeia desde 2022.

A antiga república soviética tem outra região, a Transnístria, que declarou a independência com apoio da Rússia, não reconhecida internacionalmente.

Leia Também: Keir Starmer: "As promessas [do presidente da Rússia] são vazias"

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