Oposição unânime a levantamento de sanções à Rússia em cimeira de Paris

Os aliados europeus da Ucrânia, hoje reunidos em Paris, votaram unanimemente contra qualquer levantamento das sanções impostas à Rússia, enquanto França e o Reino Unido se declararam preparados para enviar tropas para a Ucrânia como "garantia de segurança".

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© LUDOVIC MARIN/POOL/AFP via Getty Images

Lusa
27/03/2025 19:56 ‧ há 3 dias por Lusa

Mundo

Ucrânia

Com isto em mente, uma missão franco-britânica deslocar-se-á "nos próximos dias à Ucrânia", anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron, sendo agora Paris e Londres os "precursores" da mobilização de apoio àquele país, que entrou no quarto ano de guerra contra uma invasão russa em grande escala.

 

Esta missão deverá também preparar "o formato do Exército ucraniano", que continua a ser a principal "garantia de segurança" de Kyiv, precisou Macron no final da cimeira, que reuniu cerca de 30 países.

No plano económico, Emmanuel Macron afirmou que os países que apoiam a Ucrânia "concordaram unanimemente" que as sanções contra Moscovo não devem ser levantadas, apesar dos planos de Washington nesse sentido.

"Existe um consenso sobre o facto de não ser o momento para levantar as sanções", insistiu o primeiro-ministro britânico, Keith Starmer.

"Pelo contrário, debatemos a forma de as reforçar", acrescentou, congratulando-se com o facto de a Europa estar a "mobilizar-se" para a paz na Ucrânia "a uma escala que é inédita em décadas".

Por sua vez, o chanceler alemão, Olaf Scholz, considerou que seria "um erro grave" suprimir as sanções.

"Não faz sentido, até que a paz seja realmente restaurada e, infelizmente, ainda estamos muito longe disso", declarou, num comunicado.

Numa altura em que a Rússia está há várias semanas envolvida em conversações com Washington, que pretende obter uma trégua na Ucrânia a todo o custo, os participantes na cimeira da capital francesa mostraram-se muito desconfiados, tal como o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que afirmou que a Rússia não quer "qualquer tipo de paz".

"A Ucrânia teve a coragem de aceitar um cessar-fogo incondicional. Não houve resposta russa, apenas novas condições [impostas por Moscovo] e intensificação dos ataques" na Ucrânia, resumiu Macron, criticando a estratégia do Kremlin: "Fingir abrir negociações para desencorajar o adversário e intensificar os ataques".

Sob pressão dos Estados Unidos, Kyiv aceitou a 11 de março um cessar-fogo de 30 dias.

Na terça-feira, no final de conversações na Arábia Saudita com mediação de Washington, foi anunciado um acordo que conduziria, sob determinadas condições, a uma trégua no mar Negro e a uma moratória sobre os ataques contra infraestruturas de produção de energia.

Mas Moscovo exigiu o levantamento das restrições às exportações agrícolas russas, uma ideia apoiada pela Casa Branca.

O objetivo da cimeira de Paris era afirmar a posição da Ucrânia e dos seus apoiantes, enquanto os russos e os norte-americanos falam diretamente entre si, e "concluir" as "garantias de segurança" a dar aos ucranianos, no caso de uma hipotética paz.

A proposta franco-britânica de envio de contingentes europeus para a Ucrânia "não é unânime", reconheceu o presidente francês, que prometeu, no entanto, que haveria "uma força de tranquilização de vários países europeus" em caso de paz e que ela não deixaria desguarnecido o flanco oriental da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental).

Essas tropas não estariam "vocacionadas para serem forças de manutenção de paz, para estarem estacionadas ao longo da linha de contacto ou para se substituírem às forças ucranianas", repetiu.

Elas seriam enviadas para "determinados locais estratégicos pré-identificados com as forças ucranianas" e teriam um "caráter dissuasor", indicou.

A cimeira da "aliança dos voluntários", de acordo com a expressão de Emmanuel Macron, durou mais de três horas, no Palácio do Eliseu.

Entre os dirigentes dos Estados-membros da União Europeia e/ou da NATO presentes, encontravam-se, além de Scholz, a líder do Governo italiano, Giorgia Meloni, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, o vice-presidente turco, Cevdet Yilmaz, e o primeiro-ministro português, Luís Montenegro.

Este último anunciou em Paris que Portugal aprovou hoje, em Conselho de Ministros, uma resolução para autorizar a realização de despesa até "205 milhões de euros para apoio militar à Ucrânia".

Em "Portugal, ao mesmo tempo que estávamos a realizar esta reunião [na capital francesa], estávamos a decidir no Conselho de Ministros, em Lisboa, a autorização da despesa no valor de 205 milhões de euros, que concretiza o apoio militar em equipamento, em várias áreas que vão dotar as Forças Armadas ucranianas para poderem, não só continuar a fazer o seu combate, como assegurar, num processo de paz, toda a dissuasão para que a segurança da Ucrânia e da Europa esteja salvaguardada", declarou Montenegro à comunicação social à saída do Eliseu.

A cimeira de hoje decorreu após uma série de encontros políticos e militares organizados desde meados de fevereiro por Paris e Londres, em paralelo com o processo de negociações iniciado pelo Governo do presidente norte-americano, Donald Trump, com Kyiv, de um lado, e Moscovo, do outro.

Leia Também: Zelensky pede uma reação dos EUA perante novos ataques russos

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