"Desde setembro que continuamos sem qualquer acerto nas nossas condições. O senhor ministro [da Educação português, Fernando Alexandre,] veio há pouco tempo a público informar que tudo estava a ser tratado. Queremos acreditar que sim e confiamos na palavra do senhor ministro, mas, infelizmente, a situação arrasta-se e começa a ser insustentável para algumas das pessoas que lutam contra o custo de vida em Timor-Leste, que é elevado", disse o professor Bruno Torres.
Aqueles professores integraram o quadro de efetivos da Escola Portuguesa de Díli em dezembro de 2023, mas o vínculo manteve-os em situação precária já que auferem um salário idêntico ao de Portugal sem qualquer compensação financeira, ao contrário do que acontece com os professores em regime de mobilidade que dão aulas na mesma escola.
Os professores em regime de mobilidade recebem um subsídio mensal de 1.500 dólares (1.430 euros) para compensar as diferenças do custo de vida em Timor-Leste.
"Somos 10 professores. Desde setembro, continuamos a exercer as nossas funções da mesma forma, com o mesmo profissionalismo e com a mesma dedicação, sempre na esperança de que o acerto nas nossas condições seja alcançado, mas não posso deixar de alertar para a incerteza que isto causa", salientou Bruno Torres.
"Estamos um pouco cansados de promessas e não sabemos até quando temos de esperar", afirmou, pedindo às autoridades portuguesas "celeridade na resolução do processo" e mais informação sobre o que vai acontecer.
Bruno Torres defendeu também condições contratuais idênticas para os professores contratados.
Presente no protesto para manifestar a sua solidariedade esteve ainda o conselheiro da comunidade portuguesa em Timor-Leste, Filipe Silva.
"Desde o início que tenho apoiado esta causa, porque entendo que haver uma diferença salarial e de condições entre os professores que estão cá do quadro e os professores que veem em mobilidade de Portugal não é saudável e não é bom", afirmou Filipe Silva.
Filipe Silva considerou também que a situação não cria condições para que mais professores queiram fazer parte do quadro da Escola Portuguesa de Díli, não motiva os professores e pode colocar em causa o ambiente e os resultados do próprio estabelecimento de ensino.
O conselheiro já contactou as autoridades portuguesas, mas, até ao momento, não obteve qualquer resposta oficial.
"Lamento que o Governo tenha alterado uma legislação que é pertinente, e que não se aplica só à Escola Portuguesa em Díli, mas a todas as escolas no estrangeiro, e não tenha sido prevista esta questão, que agora exige alterações na legislação de base", afirmou.
Para Filipe Silva, é "inadmissível em oito meses os professores continuarem a aguardar uma solução".
"Timor-Leste é um país que tem um custo de vida bastante alto e, se os professores ficarem apenas com um salário como têm numa escola em Portugal, não é minimamente viável para que as pessoas queiram cá ficar e também não é viável para trazer e motivar mais professores que queiram vir para Timor", acrescentou o conselheiro.
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