"É interessante e é tudo pouco. Todos os conselhos são necessários e ainda são poucos", afirmou Henrique Gaspar, 84 anos, que participou na primeira ação de sensibilização que decorreu na quinta-feira, em Limões.
As iniciativas, num total de 10, vão realizar-se até abril e a primeira aconteceu em Limões porque foi numa aldeia da Freguesia de Cerva e Limões que uma mulher de 89 anos foi agredida no início de janeiro, na sua casa, por assaltantes que lhe terão furtado um fio de ouro e um anel.
A idosa vivia com o irmão, de 87 anos, mas está agora com uma família de acolhimento. O caso provocou alarme na comunidade.
No salão nobre da casa paroquial, o chefe Sousa e o guarda principal Nunes, da Guarda Nacional Republicana, deixaram vários conselhos de segurança e contaram casos reais de pessoas que foram burladas ou roubadas.
Longe vão os tempos em que se podia deixar tudo aberto nas casas das aldeias e, por isso, os militares insistiram na mensagem de que se devem sempre fechar as portas à chave, que não se deve dar confiança ou transmitir informações relevantes a pessoas estranhas ou deixá-las entrar nas habitações.
Os alertas à GNR devem ser dados sempre que algo fuja da rotina da aldeia.
Maria Moreira, 72 anos, viveu no Porto e regressou à terra natal há dois anos. Apesar de alerta para os riscos de burla, pelas notícias que vai vendo, disse que estes esclarecimentos nunca são de mais e garantiu ter sempre a porta de casa fechada por dentro.
"Esta sessão foi muito boa e faz muita falta aqui para a população", salientou.
Fernando Teixeira, 81 anos, já viu muita coisa, mas até à data nunca foi enganado. O idoso disse que adota todos os cuidados, desde logo não dar confiança a estranhos e desconfiar sempre.
"Antigamente havia muita gente, muitos vizinhos e andava tudo mais sossegado", contou, referindo que, depois da agressão à idosa, as pessoas ficaram "ainda mais alertadas".
A ex-emigrante em França Fernanda Queirós, 65 anos, ouviu atentamente os militares da GNR e disse que, agora, é preciso "fazer cuidado com tudo", desde não abrir a porta de casa a estranhos, a navegar na Internet no telemóvel e aos cartões bancários.
"Promovemos esta iniciativa no sentido de alertar a comunidade para estes hábitos de segurança e também divulgar o projeto, para que estas sinalizações e estas referenciações também nos cheguem de uma forma mais clara e mais junto da comunidade das aldeias em particular", referiu Isabel Almeida, técnica da Câmara de Ribeira de Pena, entidade responsável pelo projeto.
O concelho é envelhecido e, pelo território, há muitos idosos que vivem sozinhos ou isolados.
O Radar Social, que está ainda numa fase inicial, é um projeto financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que visa a sinalização de pessoas, grupos e famílias em situação de vulnerabilidade e ou em risco de pobreza e exclusão social. Visa também a georreferenciação de recursos e respostas a nível local.
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