"É um projeto com muito mais verde do que está agora, mas não é muito, é muito mais, [...] obrigámos o próprio promotor a plantar em Lisboa mais 200 jacarandás, portanto são mais 200, não são menos 25, nem são menos 30, são mais 200", afirmou o presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD), na reunião pública do executivo municipal.
Em causa está a decisão de abater 25 jacarandás e transplantar outras 22 árvores na Avenida 5 de Outubro para a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, o que motivou uma petição contra os abates, criada na sexta-feira, 21 de março -- Dia da Árvore, e que reúne hoje mais de 46.200 assinaturas.
O tema foi levantado na reunião pública da câmara, com a intervenção dos vereadores de BE, Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre) e Livre, que se manifestaram contra o abate de jacarandás e contra a construção de um parque de estacionamento subterrâneo, por contrariar a política de redução de carros na cidade.
Para o social-democrata Carlos Moedas, que governa Lisboa sem maioria absoluta, a contestação de milhares de cidadãos ao abate de jacarandás resulta de "informação falsa" porque o trabalho da câmara no âmbito da operação urbanística de Entrecampos foi "salvar jacarandás".
O presidente da câmara indicou que a construção do parque de estacionamento subterrâneo "estava a obrigar a abater mais jacarandás", mas a autarquia conseguiu "salvar 30", o que considera que devia ser "uma notícia muito positiva".
"Conseguimos reduzir o número de abates que poderia ter sido feito e não vai ser", expôs, lamentando "o aproveitamento político" em relação a este tema.
Ressalvando que o projeto vem do anterior executivo, Carlos Moedas reforçou a "defesa acérrima" a esta intervenção urbanística, indicando que "é muito importante para a cidade".
"É um projeto que traz mais jacarandás para a cidade e traz mais verde e traz mais espécies para a cidade, e qualquer especialista o pode defender", referiu, sublinhando que se preveem "mais 200 jacarandás na cidade".
Da vereação do PS, Pedro Anastácio esclareceu que, no anterior projeto, aprovado pelo anterior executivo, "do ponto de vista político, não havia uma única árvore em perigo" e explicou que houve "um erro na medição", que resultou num impacto nos jacarandás, considerando que a liderança PSD/CDS-PP "fez bem em tentar minorar esse impacto".
No entanto, o socialista disse que, mesmo no atual projeto, "o abate só acontece quando o relatório fitossanitário o ateste e se justifique nessa lógica do interesse público", referindo que falta essa informação quanto ao abate dos 25 jacarandás.
Defendendo que o presidente da câmara não pode ficar indiferente ao movimento da população e da sociedade civil, Pedro Anastácio sugeriu que se faça uma comissão técnica que "avalie se a compensação que propõe é suficiente e adequada".
Ana Jara, do PCP, questionou a informação disponibilizada no 'site' da câmara, de que "a Avenida 5 de Outubro vai ficar mais verde e com mais árvores", porque "será duplicado o número de árvores, o que contrasta com o plano original para a zona, que previa o corte de todas".
A comunista referiu que essa informação "é falsa", porque no projeto "nunca houve a tentativa de acabar com estas árvores", pelo que se trata de "propaganda para não assumir responsabilidades".
Também o socialista Pedro Anastácio sublinhou que "havia uma decisão política de não sacrificar nenhuma árvore e haver a proteção de todo o conjunto arbóreo", acrescentando que "nos casos em que acontecesse algum tipo de abate tinha de ser autorizado pelo presidente de câmara", o que aconteceu por Carlos Moedas.
Recusando a acusação, Carlos Moedas disse que o abate de jacarandás "está escrito" no projeto. Essa informação foi corroborada pela vereadora do Urbanismo, Joana Almeida (independente eleita pela coligação "Novos Tempos" PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança): "Nunca se falou em manter jacarandás e aquilo que se veio a revelar, posteriormente, é que não era possível manter os jacarandás."
Sobre a notícia quanto ao abate 25 jacarandás para construir um parque de estacionamento, Joana Almeida considerou que a autarquia merecia um título como "Câmara Municipal de Lisboa consegue salvar 30 jacarandás e plantar mais 39 jacarandás no eixo da 5 de Outubro".
"Antes tínhamos neste eixo 77 árvores, passamos a ter neste eixo 118 árvores. Antes tínhamos um eixo com jacarandás, depois continuamos a ter um eixo com jacarandás. Antes tínhamos estacionamento, em vez de estacionamento temos zonas verdes com áreas de estadia. Antes não tínhamos ciclovia, depois vamos ter ciclovia. Antes temos passeios com um metro de largura e sem árvores e, depois, vamos a passar a ter passeios com três metros de largura e com árvores. Por isso, há aqui claramente um mal-entendido", declarou a vereadora do Urbanismo.
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