"Não à divisão, sim à união", "sem professores não há educação", "equidade para todos os docentes da EPL", "a lutar também estamos a ensinar" eram as frases estampadas nos cartazes exibidos pelos professores à entrada da EPL.
Os docentes do quadro das Escolas Portuguesas no Estrangeiro da Rede Pública (EPERP) em Luanda, afetos ao Ministério da Educação, Ciência e Inovação gritavam em coro "mesmas funções e iguais condições", defendendo equidade e justiça salarial.
"As nossas reivindicações da altura continuam a não ser cumpridas. O que pretendemos é ser tratados de forma igual aos restantes colegas da escola e isto não está a acontecer, não temos as mesmas condições e é isso que nos motiva estar aqui [em greve] mais uma vez", disse à Lusa a professora Sandra Feliciano.
Pelo menos 23 docentes da EPL estão nessa condição, recordou, referindo que o Governo português "está ciente das reivindicações", com informações e pedidos de reuniões, mas, referiu, as respostas que surgem "são muito vagas".
"E não sabemos quando é que assunto vai ser resolvido, se vai ser resolvido", lamentou a Sandra Feliciano, garantindo "luta contínua e conjunta" em prol dos direitos professores.
À greve convocada pelo Sindicato de Todos os Professores da Educação (S.TO.P) e que decorre até sexta-feira também se juntou o docente Wilson Fernandes Rodrigues, que pediu equidade salarial ao Governo português para regressar ao trabalho de "forma mais concentrada".
Neste momento, a "questão salarial tem de ser revista e há condições que outros colegas que estão aqui na escola têm, porque vêm com estas condições já de Portugal, e que, com as mesmas funções, nós aqui nós não temos", referiu.
Apelos à igualdade de salário foram renovados pela professora Ana Cristina de Assis, que disse estar descontente com o "tratamento desigual" em termos de remuneração dos docentes, apontando para "desequilíbrios salariais e de benefícios".
"Já enviamos várias cartas ao Ministério da Educação, esta é a segunda paralisação que nós estamos a fazer e continuamos à espera de uma resposta do Estado português, porque nós estamos cansados, nós não queremos estar fora da sala de aulas", disse.
A greve é um "esforço conjunto" protagonizado por várias escolas portuguesas no estrangeiro (Timor, Moçambique, Angola e São Tomé e Príncipe), recordou a professora Cristina, que pediu "dignidade".
"Nós precisamos de dignidade para trabalhar, mas também para trabalhar em prol dos nossos alunos, precisamos mesmo desse reconhecimento do Estado português", observou, referindo que alunos e encarregados "estão preocupados" com a paralisação.
Em Luanda, a greve na EPL acontece após a fase de avaliação dos alunos, conforme realçou a professora Carla Matilde Plácido, que disse estarem "obrigados" a cruzar os braços por falta de respostas do MECI relativas à situação financeira dos professores do quadro.
A professora qualificou como "desmotivador" o salário que os docentes auferem, face ao custo de vida e a elevada inflação em Angola, manifestando "incerteza" sobre se a queda do Governo de Luis Montenegro constitui problema ou solução para as reivindicações.
"Mas, gostaríamos, efetivamente, de ter algumas respostas, porque não estamos bem financeiramente, existe uma desigualdade muito grande, temos o mesmo trabalho com os restantes colegas, mas as condições não são iguais para todos", atirou.
Segundo o S.TO.P, em causa está o facto de os docentes contratados e os dos quadros das EPERP do MECI - apesar de terem finalmente obtido o estatuto de efetividade -, enfrentarem "condições laborais inferiores às dos colegas em Portugal e dos seus colegas de escola que se encontram em mobilidade estatutária".
Leia Também: Presidente da RDCongo reuniu-se em Luanda com João Lourenço