O Chega continua nas luzes da ribalta – pelo piores motivos. O mais recente episódio ocorreu na quinta-feira, quando a deputada Diva Ribeiro acusou a socialista Ana Sofia Antunes, que é cega, de apenas conseguir "intervir em assuntos que, infelizmente, envolvem deficiência". A bancada do partido encabeçado por André Ventura foi mais longe, tendo proferido vários insultos dirigidos à ex-secretária de Estado da Inclusão quando os microfones estavam desligados. O “bullying” mereceu, entretanto, críticas por parte de outros partidos, tendo o Grupo Parlamentar dos socialistas assegurado que levará a questão à conferência de líderes.
"Hoje assistimos a uma violação clara do estatuto dos deputados, comprometendo o respeito devido à Assembleia da República (AR) e aos seus membros. O Partido Socialista (PS) levará esta questão à conferência de líderes para que esta infração grosseira não passe em branco e tenha as devidas consequências", escreveu a página do Grupo Parlamentar, na rede social X (Twitter).
Na mesma rede social, o secretário-geral dos socialistas, Pedro Nuno Santos, vincou que "o desrespeito não é ao PS, é aos portugueses, ao Parlamento e à democracia".
Por seu turno, o socialista Tiago Barbosa Ribeiro apontou que “os insultos proferidos [ontem] pelo Chega no Plenário da Assembleia da República contra pelo menos três deputadas do PS são inaceitáveis e revelam, mais uma vez, a baixeza ética e a verdadeira face de um partido que despreza a democracia, a igualdade e o respeito no debate político”.
“Além da solidariedade às visadas, impõem-se medidas definitivas por parte de todos os restantes partidos e do presidente da AR, repondo a dignidade e a educação no debate parlamentar. Levaremos este tema até às últimas consequências”, complementou.
Os insultos proferidos hoje pelo CH no Plenário da Assembleia da República contra pelo menos três deputadas do PS são inaceitáveis e revelam, mais uma vez, a baixeza ética e a verdadeira face de um partido que despreza a democracia, a igualdade e o respeito no debate político.…
— Tiago Barbosa Ribeiro (@tbribeiro) February 13, 2025
Já a deputada Isabel Moreira sublinhou que, “num debate sobre educação, uma deputada do Chega insultou a [sua] camarada Ana Sofia Antunes por ser portadora de deficiência”.
“O bullying continuou em apartes inaceitáveis. A deputada Lia Ferreira encerrou o debate com enorme dignidade e também foi ofendida”, denunciou.
Num debate sobre educação, uma dep do ch insultou a minha camarada Ana Sofia Antunes por ser portadora de deficiência. O bullying continuou em apartes inaceitáveis. A deputada Lia Ferreira encerrou o debate com enorme dignidade e também foi ofendida. https://t.co/YaIQ4MxmNV
— Isabel Moreira (@IsabelLMMoreira) February 13, 2025
As declarações de Diva Ribeiro motivaram ainda um pedido de defesa da honra da bancada parlamentar do PS, com Marina Gonçalves a acusar a deputada de desrespeitar "o trabalho sério" dos socialistas, que falam "por igual sobre qualquer tema", assim como críticas por parte de outros partidos.
Joana Mortágua, do Bloco de Esquerda (BE), relatou ainda "ofensas por parte da bancada parlamentar do Chega" dirigidas a Ana Sofia Antunes quando os microfones estavam desligados, acusação corroborada pelo líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Hugo Soares, que considerou inaceitáveis os comentários, "muito mais do que o que se continua a dizer - que é demais e pouco dignificante - com o microfone aberto".
"O que se passou hoje na Assembleia da República não atinge apenas a honra da bancada do PS. Chamar de 'aberração' à deputada Ana Sofia Antunes ou dizer que só intervém quando os assuntos envolvem deficiência, entre outros apartes, como fez o Chega é o grau zero da decência política", apontou a deputada única do PAN, Inês Sousa Real, na rede social X.
É que, de acordo com a CNN Portugal, a bancada do Chega teceu inúmeros insultos a vários deputados, tendo mesmo declarado injúrias como "aberração", "drogada" ou "pareces uma morta" contra Ana Sofia Antunes, tal como comprovou um repórter no local.
"O insulto 'aberração' ouviu-se da nossa bancada", confirmou Joana Mortágua à estação, referindo que não ouviu os restantes insultos, mas que sabe que há quem tenha ouvido.
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