O modelo para os debates televisivos deverá ser semelhante ao das últimas legislativas e, tal como no ano passado, está a gerar polémica. É que, segundo notícias veiculadas em diferentes órgãos de comunicação, Luís Montenegro só aceita debater com os líderes de PS, Chega, Iniciativa Liberal e PCP, indicando o líder do CDS-PP, Nuno Melo, parceiro da coligação Aliança Democrática, para debater com BE, Livre e PAN.
A posição de Montenegro já mereceu críticas do secretário-geral do PS, com Pedro Nuno Santos a acusá-lo de dividir as forças partidárias em "partidos de primeira e de segunda", e considerando que "fugir ao debate revela medo e um padrão preocupante num candidato a primeiro-ministro".
"Participarei em todos os debates televisivos com os restantes líderes partidários ou de coligação. É assim que deve ser", afirmou Pedro Nuno Santos numa publicação nas redes sociais.
Para o líder do PS, "a recusa de Luís Montenegro em debater com o BE, o Livre e o PAN é inaceitável".
"Fugir ao debate revela medo e um padrão preocupante num candidato a primeiro-ministro", acusou.
Participarei em todos os debates televisivos com os restantes líderes partidários ou de coligação. É assim que deve ser.
— Pedro Nuno Santos (@PNSpedronuno) March 26, 2025
A recusa de Luís Montenegro em debater com o BE, o Livre e o PAN é inaceitável. Fugir ao debate revela medo e um padrão preocupante num candidato a… pic.twitter.com/IrzbLRN5Pv
Em resposta, o primeiro-ministro e líder do PSD defendeu que nos debates para as legislativas devem participar, em nome de uma coligação, "todos os parceiros com representação parlamentar".
"No último ano participei em 18 debates na Assembleia da República com todos os líderes partidários. Não fujo a nenhum debate, mas a democracia deve respeitar que numa coligação possam intervir todos os parceiros com representação parlamentar. E a campanha eleitoral não acabará sem me cruzar em debate com todos", referiu o primeiro-ministro, também na rede social X.
No último ano participei em 18 debates na Assembleia da República com todos os líderes partidários. Não fujo a nenhum debate, mas a democracia deve respeitar que numa coligação possam intervir todos os parceiros com representação parlamentar. E a campanha eleitoral não acabará…
— Luís Montenegro (@LMontenegro_PT) March 26, 2025
O presidente do Chega, André Ventura, acusou o primeiro-ministro de "cobardia política" e de ter medo de entrar nos debates com todos os partidos com representação parlamentar antes das eleições legislativas de 18 de maio.
"Eu acho que é lamentável que o primeiro-ministro se recuse a debater com outras forças políticas com representação parlamentar e que claramente esteja a querer fugir aos debates", afirmou o líder do Chega em conferência de imprensa na sede nacional do partido, em Lisboa.
André Ventura considerou que Luís Montenegro "percebe que os debates lhe vão ser incómodos, percebe que os debates lhe vão ser difíceis, e então quer enviar para os debates alguém que nem sequer é candidato a primeiro-ministro, que é o presidente do CDS".
Entretanto, a decisão do líder social-democrata já mereceu críticas também da coordenadora do BE, que o acusou de ter medo e escolher a dedo os adversários, mas garantiu que "não foge" do confronto com o líder do CDS-PP, embora não aceite que a campanha termine sem debater com o primeiro-ministro.
"Eu percebo que Luís Montenegro não queira debater comigo, mas o medo ainda não é uma razão plausível para se faltar a um debate eleitoral tão importante para esclarecer os cidadãos neste momento de eleições, ainda mais eleições inesperadas e causadas por escolha e responsabilidade do próprio primeiro-ministro", afirmou Mariana Mortágua numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
Mortágua frisou que "nunca em democracia um candidato a primeiro-ministro escolheu a dedo quais são os adversários com quem quer debater" e desafiou Luís Montenegro para um debate durante esta campanha eleitoral, acrescentando que caso não aceite será o "primeiro concorrente em eleições na história da democracia que não debate com todos os adversários".
Luís Montenegro tem medo do Bloco? Desafio-o a não fugir do debate comigo. pic.twitter.com/4dLcaEGr1n
— mariana mortágua (@MRMortagua) March 26, 2025
Já o PAN acusou Luís Montenegro de se esconder "atrás de Nuno Melo" depois de "ter arrastado o país para mais uma crise política". Inês Sousa Real sublinhou que Nuno Melo é "Ministro da Defesa nacional e não da defesa pessoal".
Depois de ter arrastado o país para mais uma crise política, porque quis fugir ao escrutínio, Luis Montenegro foge agora ao debate com todos os partidos com assento parlamentar e esconde-se atrás de Nuno Melo, que já agora é Ministro da Defesa nacional e não da Defesa Pessoal!
— Inês Sousa Real (@InesSousaReal) March 26, 2025
Os Conselhos Nacionais de PSD e CDS-PP reúnem-se hoje e deverão aprovar a reedição de uma coligação pré-eleitoral para as legislativas antecipadas de 18 de maio.
Nas anteriores legislativas, a 10 de março do ano passado, a AD (coligação formada por PSD, CDS-PP e PPM) venceu o PS por cerca de 50 mil votos, com o PSD a eleger 78 deputados, os mesmos que o PS, e o CDS-PP dois.
A reunião dos partidos com os canais de televisão para definir os debates decorreu na terça-feira, mas o modelo não ficou fechado.
O Presidente da República anunciou em 13 de março que iria dissolver o parlamento e marcar eleições antecipadas para 18 de maio na sequência da demissão do Governo PSD/CDS-PP. A demissão resultou da rejeição pelo parlamento da moção de confiança ao executivo a 11 de março, anunciada depois de semanas de dúvidas sobre a vida patrimonial e profissional do primeiro-ministro relacionadas com a empresa Spinumviva.
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